segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Ao Mestre, com carinho


Sarau da Biblio - 2012


Não sei exatamente quando o conheci. Talvez numa Quinta & Breja, no distante ano de 2010. Talvez antes. Colegas e conhecidos em comum tínhamos aos montes. Apesar de convivermos num departamento pequeno na faculdade, naquela época, sempre era mais fácil encontrar o pessoal na prainha da ECA.



Hoje, eu sinto muito por isso. Não estava passando pelo melhor dos meus momentos e, além disso, torcia para conseguir sair o quanto antes daquele lugar.



Quando realmente posso dizer que conheci o Saladino, foi numa viagem para o EREBD Sul, em Londrina/2011. Três semanas depois da minha colação de grau, tinha decidido encerrar o ciclo por ali participando dessa viagem de quase 8 horas com desconhecidos e entusiastas do curso.



Na nossa primeira noite por lá, enquanto todos se aprontavam para uma das várias festas noturnas que teríamos, ficamos nós dois terminando um litrão. Ali, naqueles poucos minutos, percebi o quão humano ele era. Num dado momento, depois de muita conversa, ele me apontou o dedo em riste e disse “grandes coisas ainda acontecerão à você, se você se permitir.”



Mesmo brincalhão, ele tinha um lado conselheiro, amigo para com todos. Assim foi comigo, ali naquela mesa e pelos 4 anos seguintes. Sempre que nos encontrávamos, demonstrava uma preocupação legítima com meus assuntos pessoais e profissionais. Era mútuo. Logo, chamá-lo de Sal, Salada, Saladino ou qualquer outro termo variado era pouco. Luis Rodrigo, para mim, era (e sempre será) o Mestre!



Infelizmente, de 2016 para cá, perdemos o contato. A vida adulta nos compele a isso. Queria muito ter sido um veterano melhor, um amigo mais presente, alguém mais útil. Às vezes, acabamos dando importância para coisas que, mais tarde, percebemos que nem eram tão importantes assim. E eu sinto muito por isso, amigo!



Guardarei até o fim da minha sanidade seus conselhos e ensinamentos. O principal deles? Que a vida não lhe deve nada. Se você quer algo, se realmente almeja algo, cabe a você (e a você apenas) correr atrás desse algo.



Na minha opinião, esse era você: alguém que não esperava nada. Porque tinha (e sabia de) tudo que precisava; nem mais, nem menos. Um desbravador, um poeta, um amigo. Meu Mestre.


Biblio-churras - 2011



Obrigado por tudo

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Pequenópolis revisitada



No longínquo ano de 2003, enquanto me recuperava de um inequívoco namoro terminado depois de 15 meses e, além disso, procurava me readequar a uma nova vizinhança e me preparar para prestar a Fuvest pela 2ª vez, meu primo mais velho, durante uma bebedeira na festa de 19 anos da minha irmã (ainda viva na época), passou quase duas horas comentando sobre um seriado novo que ele estava acompanhando.

Apesar de bêbados, nossos risos não ressoaram tanto quanto a nossa calorosa discussão acerca de super-heróis e suas ricas mitologias. Era evidente que ele entendia (e ainda entende) de tais assuntos muito mais do que eu. Dessa forma, fiz o que sei fazer de melhor diante dessas situações: ouvir mais do que falar.

Seu fascínio pelo tal seriado surtiu efeito: pedi o box com a 1ª temporada emprestado e, correndo contra o tempo (já que trabalhava quase todos os dias, sem horários fixos) e o espaço (o pouco tempo que sobrava, eu dedicava à leitura dos livros do vestibular), fiz o melhor que pude nas três semanas seguintes: finalizei a temporada sedento por mais. Afinal, segundo meu primo, o seriado já estava em sua 3ª temporada.

Cabe explicar que, naquela época, seriados para mim eram, basicamente, limitados aos exibidos pela TV aberta: “Três é Demais”, “Jack & Jill”, “Desaparecidos”, “Simpsons”, “MacGyver”, “O Mundo de Beakman”, “Anos Incríveis”, “Arquivo X”, só para citar alguns. Tinha comprado meu primeiro DVD Player há pouco. E nem ganhava tanto assim! Logo, maratonar um seriado ainda era algo fora dos meus padrões.

Mesmo assim, decidi começar minha coleção. E, ano após ano, adquiri todas as dez temporadas do tal seriado. Algumas vezes, as comprei ainda em pré-venda, pagando valores absurdos para os dias atuais.

Cada vez que nos reencontrávamos, meu primo e eu, recomeçávamos nossas discussões sobre o seriado: “em qual episódio você está?”; “o que achou da temporada passada?”; “onde conseguiu comprar esse box tão barato?” etc. Infelizmente, de 2009 para cá, perdemos contato.

E como uma coisa leva a outra, por não encontrar ninguém tão entusiasmado para discutir sobre, apesar de adquirir as 9ª e 10ª temporadas logo, nem procurei retirá-las do invólucro. Somado a isso, meu interesse por outros seriados despertou.

E assim foi por 4 anos até que, recentemente, assisti ao documentário Look, up in the sky!: the amazing story of Superman. Bateu aquela sensação de algo por concluir. Em duas semanas, aproveitando um pouco do tempo extra que tenho agora, consegui rever todas as 8 primeiras temporadas (alguns episódios ainda considero meio que inéditos rsrs) e, com aquele frio na barriga típico de estreias, lancei mão das embalagens plásticas que envolviam as duas últimas e, com lágrimas abundantes, finalizei o seriado.

Fazendo uma análise rápida, não concordo com alguns que reclamam (ou melhor, reclamavam) acerca do excesso de episódios obsoletos e falta de objetividade no seriado. Fellas, o seriado mostra o amadurecimento de um super-herói! Um jovem alienígena que, naturalmente, por ser criado como um ser humano, também tem seus momentos de rebeldia, angústia e turbulência adolescente. Acho todo o desenvolvimento dessa transposição da juventude para a fase adulta muito bem estruturada durante o seriado. É impossível montar e exibir todo o desenrolar dos 16 aos 26 anos em apenas uma ou duas temporadas.

Fora isso, tenho de ressaltar os vários momentos em que os produtores do seriado me surpreenderam, incluindo participações especiais ligadas de alguma forma a todo o percalço televisivo e cinematográfico do Superman. Só para citar alguns:


Annette O’Toole (Martha Kent), que em 1983, deu vida a jovem Lana Lang no desnecessário filme Superman III;
Terence Stamp (voz de Jor-El), que em Superman, o filme e Superman II, personificou o temido General Zod;
Margot Kidder (Bridgette Crosby), a estabanada Lois Lane dos 4 filmes clássicos das décadas de 70 e 80;
Dean Cain (Curtis Knox) e Teri Hatcher (Ella Lane), o casal título do emblemático seriado da década de 90, As novas aventuras do Superman;
Michael McKean (Perry White), que fez uma pequena participação na já citada série televisiva acima;
Helen Slater (Lara-El), a Supergirl do filme de 1984;
Christopher Reeve (Dr. Virgill Swann), que dispensa maiores apresentações.


Minha ode à Pequenópolis não poderia ser completa sem alguns agradecimentos: meu primo, Wellington, por ter me apresentado o seriado; Alfred Gough e Miles Millar, não só por desenvolverem um ótimo seriado, mas também por criarem uma nova atmosfera para a Liga da Justiça. A breve inclusão do Esquadrão Suicida talvez necessitasse de mais uma temporada para ser melhor apresentada; Kristin Kreuk, por ser uma das minhas primeiras paixonites impossíveis; Michael Rosenbaum, por não ter aceitado renovar seu contrato e, dessa forma, ajudado a melhorar (e muito) os roteiros das 3 temporadas finais; Jerry Siegel e Joe Shuster, por criarem o maior super-herói do universo DC; Mark Snow, por sonorizar tão perfeitamente o seriado; e, um pouco fora deste contexto, mas não menos importante, John Williams, o mestre supremo e meu herói das trilhas sonoras, por ter criado a mais perfeita música tema a representar um super-herói:




Enfim, quem ainda não assistiu, fica a dica. Sei que a música tema pode irritar depois da 3ª ou 4ª temporadas. E até aí, o clima do seriado é um pouco parecido com "Arquivo X" (o que não chega a ser um ponto negativo! rs). Se quiserem discutir sobre, basta usarem os comentários.



H (para o alto e avante!)

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Top 20 desenhos que marcaram minha infância

Senta, porque o post é longo!


Às vezes, pode até parecer que não sinto, mas tenho muita saudade deste espaço, desta possibilidade de escrever sobre fatos corriqueiros e/ou assuntos dos quais tenho apreço. Porém, e já entrando de supetão no assunto deste post, tornar-se adulto é um constante ato de desencontrar-se.

Fui “forçado” a me despedir de inúmeros hábitos para tentar enquadrar outros. Sei que não deve ser fácil tomar tais decisões. Por isso as aspas no início deste parágrafo. Contudo, particularmente, como sou um saudosista dos mais piegas, todo ADEUS acaba se tornando um ATÉ BREVE que nunca acontece.

Exemplo maior está sociologicamente vinculado a este dia, celebrado duas semanas atrás (sim, perdi o dia da postagem!). Uma data parcialmente comemorada até meus 12, 13 anos e que perdeu seu viés justamente por já ter idade o bastante para ter meus próprios filhos. Só idade mesmo, porque as atividades e atitudes, não raras, denunciam a “criança grande” que me tornei.

Pensando nisso e inspirado pelo espírito (figurativamente falando, lógico!) deste dia, além da comemoraçãodos 25 anos da estreia de um dos melhores programas infantis da minha época, decidi montar uma lista com os desenhos que marcaram minha primeira idade, numa era ainda sem internet e responsabilidades.

Os desenhos aqui listados, antes que me perguntem (até parece que alguém faria isso!), foram dispostos em ordem alfabética e não em ordem de importância. Obviamente, gosto de alguns muito mais do que de outros. Mas, pela preservação da minha reputação e dignidade, prefiro manter tais informações em off.



1) A Corrida Maluca
O desenho passou por vários canais. Mas me lembro de assistir na primeira delas: Rede Manchete. E o desenho era sensacional.




2) A Formiga Atômica
Lembrar da Formiga Atômica é lembrar da Vovó Mafalda.




3) Animaniacs
Os três irmãos eram muito loucos e me faziam rir muito.




4) As aventuras da família Mézga
Apesar de me lembrar pouco deste, gostava muito dele por retratar uma família que se aventurava pelo mundo, apresentando particularidades de cada nação visitada.




5) Capitão Planeta
Numa época em que a Rede Golpista de Televisão era boa, a união de 5 poderes era o bastante para “salvar” nosso planeta. Ou apenas nos apresentar algumas ilusões disso.




6) Caverna do Dragão
Confesso que era um pouco complicado de entender. Afinal de contas, por que o velho baixinho não mostrava de uma vez a saída? Por que o vingador voava num cavalo alado se ele também tinha asas?! Por que aquela por$# da Uni não morria logo? Por quê?!




7) Cobi 
O Cobi, para quem não sabe, foi o mascote dos Jogos Olímpicos de 1992, na Espanha. No ano seguinte, a TV Cultura exibiu alguns episódios do cartoon baseado no personagem. Entre muitas aventuras, o Cobi também apresentava as regras básicas de alguns esportes olímpicos.




8) DuckTales
Como não gostar de um desenho que tem a canção tema cantada pelo Bozo?!




9) He-man e Os Defensores do Universo
Mano, sério: tão imutável quanto Clark Kent, como o Esqueleto nunca percebeu?! Alguns meses atrás, a Netflix me fez um enorme favor e incluiu a 1ª temporada no seu catálogo. Não poderiam ter feito minha criança interior mais feliz!




10) Johnny Quest
Lembro de assisti-lo aos sábados, pela manhã, na Rede Golpista de Televisão. Nada mais do que isso, infelizmente.




11) Ligeirinho
Assim como a famigerada Formiga Atômica, o assistia no programa da Vovó Mafalda.




12) Muppet Babies
Esses bebês tinham uma imaginação invejável. O fato de o rosto da babá nunca aparecer nem era percebido. Talvez meu episódio favorite seja aquele em o Scooter acaba ficando doente e todos decidem “viajar” através do seu umbigo para descobrir o porquê da doença.




13) O Fantástico Mundo de Bobby
Ah, esse já era esperado, né?! Afinal, de onde vocês acham que tirei a inspiração para nomear este blog? O Bobby tinha uma imaginação sem precedentes e ainda apresentava uma canções ótimas, como aquela das formas.






14) Os Herculoides
Infelizmente, não posso dizer muito sobre este desenho porque não me lembro. Foi um dos primeiros que sei ter assistido, também na era de ouro da extinta TV Manchete.




15) Os Impossíveis
Os caras, além de ter superpoderes, ainda tocam numa banda! Era um dos desenhos dos tempos áureos da TV Manchete. Eita saudade!




16) Pink e o Cérebro
Adorava a relação autoritária e “afetuosa” que eles tinham. Perseverança era a palavra de ordem.




17) Pole Position
Basta ouvir essa música para ficar com os olhos marejados. Acho que minha admiração por carros esportivos surgiu aqui. Tenho o tema principal como toque do meu celular e meus olhos ficam marejados toda vez que recebo uma ligação.




18) Rua dos Pombos
Como todas animações que eram exibidas pela TV Cultura, a Rua dos Pombos era muito educativa, mostrando o convívio corriqueiro de uma vizinhança.




19) Tom & Jerry
Tinha seus momentos. Principalmente os episódios mais antigos, como a caça pela Dicky Moe, a patinação na cozinha e a banda do Jerry.




20) Zeca e Joca
A prova de que bons desenhos não precisam, necessariamente, de diálogos. Muito inventivos, os dois amigos sempre tinham alguma ideia mirabolante para resolver um problema simples.








H ("Você consegue ouvir a música?")

domingo, 16 de outubro de 2016

Happy Birthday, beautiful stranger

Nosso último filme 


Gostaria de escrever aqui uma história engraçada que passamos juntos. Ou, até, contextualizar alguma de suas inúmeras lições de ética e moral, exemplificada sempre de uma maneira debochada e simplória. 

Porém, cheguei a conclusão que nossas histórias não servem aos outros. Foram nossas e assim serão até que o Alzheimer ou a morte me visitem. Talvez, um dia, eu decida escrever algo mais elaborado sobre. Um livro anônimo ou um post multifacetado, quem sabe?!

Contudo, por enquanto, o quê posso dizer é: feliz aniversário, bela estranha. Esteja você onde estiver. E obrigado por esbarrar, propositalmente, em mim naquela festa. Infeliz daquele que nunca levou um esbarrão seu.




H (Miss you)

sábado, 31 de outubro de 2015

Player 1: game over



Alguns anos atrás, um pouco depois de nossa reaproximação, você me disse uma frase que, lembro, no momento achei das mais descabidas: “Você não nasceu mesmo para esse ‘jogo’.”

Ultimamente, por motivos que não vale a pena comentar aqui, voltei a refletir sobre isso e (você adoraria ouvir pessoalmente, eu sei!) posso afirmar: a sua versão sobre o meu verdadeiro eu não está muito longe da realidade.

Não sei exatamente o porquê.. ou talvez eu saiba, mas não queira desperdiçar ainda mais tempo pensando sobre isso e chegar a conclusões que me desanimariam além do possível.
A verdade é que eu certamente não sei como se “joga” isso. E ninguém pode dizer que foi por falta de tentativa, de paciência ou mesmo oportunidades satisfatórias. Não.

Talvez seja minha timidez excessiva..

Talvez seja o fato de não querer mais ter aquela postura arrogante e desafiadora de outrora..

Talvez seja apenas a minha mente lógica em conflito constante com sentimentos que, por algum motivo além das estrelas, não consigo mensurar..

Talvez. Minha vida, de alguns anos para cá, virou um grande “sei lá”. Parece que estou desaprendendo a jogar este também.

A única certeza que tenho (além da óbvia) é que você está fazendo mais falta do que nunca. Você saberia o que dizer, mesmo a milhares de quilômetros e certa de que eu não gostaria das suas palavras. Esse era o “nosso jogo”. Eu não gostava, mas, ao menos, sabia jogar.



H (let's poker!)

P.s.: segunda-feira vou te visitar. Daí conversamos mais  ;)

domingo, 6 de setembro de 2015

Amanhecer calmo: um sábado de reflexão



Sábado. O dia amanhece tão preguiçoso quanto eu. Nem o banho gelado (sim, eu adoro!) e o café sem açúcar que tomo antes de sair parecem ajudar na disposição que preciso. O que me anima é o fato de saber que este não será o único café que tomarei ao longo do dia. Sim, eu ainda me contento com pouco.

Como toda pessoa (ou a grande maioria) de “meia idade”, adquiri uma mania que alguns amigos, por várias vezes, já apelidaram de TOC: procuro organizar tudo que utilizarei logo cedo ainda no dia anterior. Pensando bem, de certa forma, isso é um TOC. Mas não ligo para isso. Estou ficando velho e acho que posso me permitir uma psicose ou outra. Mantem a mente ocupada e me deixa sempre alerta.

Saio de casa tranquilamente. Prefiro sempre reservar alguns minutos de folga para fazer uma caminhada pausada até o ponto de ônibus.

Sei que pode parecer estranho, mas, apesar de detestar acordar cedo, eu gosto de manhãs. Acho que capitei isso por osmose, já que um grande amigo era idêntico neste quesito. Gosto de apreciar a variedade de cores, o aroma mais fresco e (em certos dias) mais úmido do ar. Até aquela brisa fria e dilacerante tenho como um coringa.

Na metade do caminho, um casal passa por mim numa corrida sincronizada. Eu solto outra bufada de fumaça do cigarro, que logo desaparece em redemoinho acima da minha cabeça. E penso: respeito muito quem acorda tão bem disposto a ponto de promover uma corridinha pelo bairro, com o cônjuge junto. Mas nunca invejarei isso! De forma alguma. Alguns anos atrás, uma ex-namorada tentou me “por na linha” como ela mesma dizia. Aos finais de semana, acordávamos bem cedo e pedalávamos por quase duas horas sem descanso. O namoro não durou 3 meses. Esforcei-me muito para adquirir esta “barriga de pochete”. Seria, no mínimo, insano fazer ainda mais esforço para perde-la. Não sou tão desalmado com as minhas coisas!

Está uma manhã mais fria do que eu havia previsto. Não que eu me importe com isso. Gosto muito do frio. Além de manter minha sudorese sob controle, ainda me dá mais disposição e auxilia nas minhas já raras horas de sono.

Mais à frente, vejo uma senhora com um casaco puído parada na calçada. Ela olha vagamente para um lado, depois para o outro. Parece perdida ou procurar alguém que está para chegar. Estou a 10 passos dela e não consigo deixar de pensar: “não seria engraçado se ela anunciasse um assalto assim que me visse?”. Eu abro um sorriso amarelo, mais por visualiza-la ir embora com uma mochila surrada contendo um livro, um sanduiche e uma maçã, do que pelo fato disso realmente acontecer.

Quando estou a dois passos da senhora, o MP3 faz uma breve pausa na troca das músicas e posso ouvi-la me chamar. Instintivamente, libero um dos meus ouvidos e me mostro solicito para ajuda-la. Ela me oferece duas coisas. Um “bom dia” muito simpático e sincero; e um panfleto com os dizeres ‘Você está pronto para aceitar Jeová em sua vida?’ na capa.






Eh... a velhinha abre um sorriso como se achasse que isso me ajudaria a estender a mão e aceitar o panfleto de bom grado. Sem saber, ela me coloca num dilema: não costumo negar aceitar o que me é oferecido “na rua” por estranhos. Porém, sou quase um ateu.

Mas decido que ela está com sorte. Levantei de bom humor e o clima frio só faz corroborar essa sensação. Aceito o panfleto e retribuo o cumprimento. Nem preciso dizer qual das duas coisas oferecidas pela velhinha saltou comigo no meu destino, né?!

Este sábado foi estranho. Um bom sábado. Mas sem religião para mim, por favor!



H (religião é o cúmulo)

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Sinais de arritmia



Olá. Tudo bem?


Quanto tempo, não é? Sim, eu sei que sou o culpado pela demora. Na verdade, nem sei se este é o lugar apropriado para fazer o que estou prestes a fazer, mas preciso “colocar no papel” os inúmeros entrelaces que minha mente vem me impondo ultimamente.

Não quero dizer que isso é ruim. Muito pelo contrário. Porém, como alguns pontos acabam afetando outra pessoa, a complicação torna-se evidente. Daí minha dúvida.

Certo.. lá vai: estou apaixonado! Calma, ainda não é o momento de ir direto ao ponto. Preciso, por questão contextual, relembrar algumas particularidades do meu passado.

Seis anos atrás, escrevi um texto bobinho sobre minhas escolhas amorosas. Quase um ano depois disso, lá estava eu novamente me remoendo por uma paixonite cavalar. Pela intensidade da situação em si, decidi me fechar para essas coisas e tentar focar minha vida em assuntos estritamente necessários como minha carreira, família e amigos.

Posso até demonstrar, às vezes, um certo arrependimento quanto a isso. Mas não é assim que me sinto realmente. Esses cinco anos desde então, me ajudaram a confirmar que o sentimento alcunhado por muitos de amor, o mais puro e tocante dos sentimentos que poderíamos nutrir por desconhecidos, não passa de um embuste. Bom, essa é a minha opinião e, na verdade, já ando um pouco cansado de explica-la.

Vivi até muito bem durante esse tempo. Claro que não me entreguei ao completo celibato sentimental. Tive meus “lances”. Prazos curtos a preços irrisórios.

Porém, de uns 9 meses para cá, venho sentindo um pequeno comichão. Desacostumado a lidar com essas coisas, procurei minha terapeuta (um beijo, Dra. Regina!) e, numa das nossas últimas sessões, fui direto: seria possível nos apaixonarmos por alguém com quem (quase) não convivemos? Baseado apenas em alguns gostos correlatos e (principalmente!) por um dos sorrisos mais bonitos que já vi?

Bom, se estou escrevendo este texto, vocês podem imaginar qual foi a resposta dela. Claro que ela me deixou com os dois pés no chão. A (possível) certeza só viria quando estivéssemos frente a frente. E, depois de ensaiar por meses, tirei esse feriado prolongado para isso. EXCLUSIVAMENTE!!!

Que fique bem claro: escrevi tudo isso (depois de uma caminhada na calada da noite) apenas para reforçar o que eu já desconfiava. Continuo achando que o amor não passa de ficção. E sim, estou apaixonado. Mas não espero o mesmo de volta. Seria ótimo, lógico! Porém, o que não consigo deixar de me perguntar (se for recíproco) é ‘será que estou pronto para sair da minha zona de conforto’? E, para essa pergunta, eu ainda não tenho resposta...




H (arritmia)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Descascando o abacaxi



Desde que saí da Cásper Líbero, de forma intempestiva, em 2011, decidi não escrever mais sobre o tema trabalho. Não para tentar satisfazer as vontades de um ou outro. Apenas julguei que o assunto não merecia mais créditos no blog.

Logo o próprio blog perdeu também a graça, então achei irrelevante me explicar sobre isso ou aquilo. Deixei tudo seguir seu rumo e pronto.

Porém, atualmente, como minha terapeuta vem me incentivando a colocar tudo que me incomoda no papel, ponderei ser este o momento para comentar sobre algo tão complexo.

Comecemos pelo início: por que pedi demissão da Cásper Líbero? Não posso dizer que nunca gostei daquele lugar. Trabalhei ali por mais de 5 anos e engoli inúmeros sapos. Tudo em prol de uma carreira que eu ainda não sabia se gostaria de seguir. Do mesmo modo, também não posso negar que foi o período de estágio (11 meses) ali que me auxiliou suportar a conclusão de um curso tão teórico e engessado quanto o da biblioteconomia. Não sei se fiz amigos por lá. Trabalhar com 12 mulheres era algo surreal. Era como conviver com a iminência de um ataque nuclear, tamanho o nível de progesterona no ar. O ambiente era descontraído em datas pontuais como aniversários, copas do mundo, natais e aos sábados (este último, principalmente pelo fato da minha ex-chefe não estar presente). Porém, a pressão desmedida que minha ex-chefe gostava de imprimir em alguns de nós (eu incluso) era algo que beirava o sádico. O clima logo começou a ficar pesado demais para alguém caricato como eu. Depois de me formar, em abril de 2011, passei a buscar novos rumos para minha vida profissional.

Nesse meio tempo, fiz algumas pesquisas sobre a área de consultoria e me empolguei com a possibilidade de por em prática toda a carga teórica acumulada durante a graduação. E, dessa forma, em julho de 2011, por indicação de um grande amigo da biblio, comecei a prestar serviço a um dos maiores jornalistas do país. Ele estava em fase de mudança e gostaria que sua biblioteca ficasse pronta ao mesmo tempo que a reforma de seu novo apartamento, na região de Higienópolis. Trabalhei por 6 meses juntamente com outros dois colegas. Fizemos a higienização e organização de aproximadamente 10 mil volumes, entre livros, CDs e DVDs.

Hoje, considero este um dos mais exaustivos trabalhos que já participei. Mas foi gratificante ver todo o projeto tomar forma. O fato de fazer meus próprios horários e me lançar em algo desconhecido, foram questões que enriqueceram ainda mais a conclusão de tal projeto.

Além deste, prestei consultoria para um colecionador de gibis, sobrinho de uma das minhas professoras da graduação (que foi a responsável por me indicar). Por 4 meses, fiz a higienização e preparo técnico de 5 mil exemplares. Arrependo-me um pouco deste porque me comprometi a cumprir um prazo curto enquanto trabalhava sozinho e, mais de uma vez, precisei revê-lo. Porém, foi igualmente gratificante ver ordem no caos. Além, é claro, de conseguir trabalhar com um material tão incomum na área de biblioteconomia. Aprendi muito sobre higienização e preservação e, até, um pouco sobre homework.

Depois disso, passei por um período de vacas magras. E isso é perigoso. Principalmente para alguém que trabalha nessa área de humanas. Num momento de desespero, com contas acumuladas e pressão de outras pessoas pouco familiarizadas com as suas qualificações, torna-se normal aceitar a primeira empreitada que surge à frente.

E daí chego, enfim, ao São Paulo Futebol Clube. Outro fator que pesava bastante durante o período que trabalhei na Cásper Líbero era o trabalho aos sábados (revezamento). Achava o fim da picada ter de ficar lá, enfurnado até às 17h. Ao sair, prometi que nunca mais aceitaria me subjulgar a isso. Porém, como eu disse no parágrafo acima, o perigo reside na escassez. Depois de três meses sem movimentação positiva de caixa, acabei aceitando uma vaga para trabalhar no cu do submundo luxuoso da cidade, no período noturno, de terça a domingo. O que o desespero não faz com nossos princípios, não é?

No começo, achei ótimo. Seria uma nova experiência profissional, já que se tratava de uma biblioteca dentro de um clube esportivo. Qual seria a demanda? Que tipo de público teria de atender? E qual público teria de (re)conquistar? Várias perguntas me surpreenderam durante os primeiros dias.

Fiz amigos, briguei e batalhei por melhorias. Viabilizei projetos simples, porém de importância ímpar. Porém, não foi fácil. Por várias vezes, vi-me tendo de explicar coisas que, até pouco tempo, achava óbvias. Acumulei novos conhecimentos e até uma nova função que nunca imaginei ser bom o bastante (pretendo escrever mais sobre em breve). 


E hoje foi meu último dia. Apesar de proveitosa, considero que saí de lá derrotado. Vencido pela arrogância e prepotência de alguns tubarões, pessoas que gostam de impor suas vontades às demais, sem levar em consideração suas qualificações, vida particular ou princípios. Nada do que fiz foi com a intenção de focar holofotes sobre mim. Afinal, sou tímido e abomino todo tipo de atenção excessiva. Por outro lado, não sou idiota ao ponto de aceitar que pessoas "empata-fodas" levem créditos por projetos dos quais não contribuíram com nenhuma gota de suor.

Saí, também, por considerar meus domingos sagrados ao ócio e porque acho que minhas qualidades extra-profissionais merecem mais do que a esmola recebida todo dia 5.

Foi divertido, porém estafante. Conheci inúmeras pessoas maravilhosas e uma meia dúzia detestável. Mal sabem elas, mas acabaram acendendo o pavio do meu último projeto. Abram os guarda-chuvas. O ventilador foi ligado e a merda, lançada.




H (Livre)