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domingo, 17 de maio de 2009

Momento poesia XVIII


Depois de ontem (rs), digo que acredito não em destino como essência, mas que estamos fadados a passar por alguns eventos frustrantes (essa não é a palavra certa, porém não consegui pensar em outra melhor) para adquirir experiência para aquilo que está por vir. Como uma vacina, por exemplo, preparando os anticorpos para um perigo futuro.

Essa poesia é apenas para mostrar o quanto estou contente (cuidado com os comentários! rs):


Está cheio de ti meu coração!

Está cheio de ti meu coração,
como a noite de estrelas está cheia,
tão cheia, que ao se olhar para a amplidão
o olhar de luz se inunda e se incendeia...

Está cheio de ti meu coração,
como de ondas o mar que o dorso alteia,
como a praia que estende sobre o chão
milhões de grãos do seu lençol de areia...

Está cheio de ti meu coração,
como uma taça, erguida, transbordante,
num momento de amor e de emoção,

- como o meu canto enquanto eu viva e eu cante,
como o meu pensamento a todo instante
Está cheio de ti meu coração!


(J. G. de Araújo Jorge)


H (de orelha-a-orelha)

domingo, 30 de novembro de 2008

Momento poesia V - J. G. de Araújo Jorge


J. G. de Araújo Jorge nasceu em 20 de maio de 1914, na Vila de Tarauacá, Estado do Acre. Passou sua infância no Acre, em Rio Branco, onde fez o curso primário no Grupo Escolar, 7 de Setembro. No Rio, realizou o curso secundário nos Colégios Anglo-Americano e Pedro II. Colaborou desde menino na imprensa estudantil. Com irrefreável vocação política, foi candidato a vários cargos públicos. Elegeu-se Deputado Federal em 1970 pela Guanabara, reelegendo-se já para o seu terceiro mandato em 1978. Ocupou a vice-liderança do MDB e a presidência da Comissão de Comunicação na Câmara dos Deputados. Foi conhecido como o Poeta do Povo e da Mocidade, pela sua mensagem social e política e por sua obra lírica, impregnada de romantismo moderno, mas às vezes, dramático. Foi um dos poetas mais lidos, e talvez por isto mesmo, o mais combatido do Brasil. Faleceu em 27 de Janeiro de 1987.

Segue uma das minhas favoritas dele (que reflete bem o momento):


Eterno Drama*

Por que esse desencontro tão constante?
Por que tão raro o amor completo, inteiro?
Sempre uma alma a se dar toda, exultante,
e um frio coração por companheiro.

Sempre um a querer mais, a cada instante,
o desejo a queimar como braseiro;
e o outro apenas seguindo, ao lado, e adiante,
quase como um estranho caminheiro.

Um, tranqüilo, confiante, satisfeito;
o outro, o ciúme a levar no coração
como um cão a rosnar dentro do peito;

eis, a toda hora, o drama que desponta:
- há sempre um que ama, escravo da paixão,
e o que se deixa amar... sem se dar conta.


* (Poema originalmente publicado no livro "O Poder da Flor", de 1969)


H (cansado de compreender)