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domingo, 19 de fevereiro de 2012

Limen Vitae

Trecho de diálogo ocorrido em 17 de dezembro, num café na região da Av. Paulista:


- E então..?

- Então o quê?!

- O que você queria me falar? Foi você quem me chamou aqui, não foi? Disse que tinha algo importante para dizer – ela fez uma pausa para saborear o café que tinha acabado de chegar.

- Eu acho que cheguei naquele ponto – disse ele enquanto apreciava a rotina alheia pela janela – Aquele ponto que
ele tanto comentava..

- Limen vitae* – completou ela.


Ele não confirmou, mas ela sabia que estava certa. O movimento rápido do pomo-de-Adão e o suspiro prolongado após a pronuncia dessas palavras só veio corroborar. Ela era uma ótima observadora. Não gostava de se gabar, é verdade. Mas estava ciente de que os outros também a julgavam como tal.


- Você se lembra como
ele era?

- Altura mediana, bonito, um tanto arrogante quando versava sobre um assunto de seu domínio. Autodestrutivo, às vezes. Uma pessoa acima da média.

- Não estou falando física ou psicologicamente. Perguntei se você se lembra como era
estar na presença dele.

- Ah, isso.. – ela parou para pensar um pouco – Eu, particularmente, me sentia estranha. De uma maneira boa, claro!
Ele tinha um magnetismo e uma atitude que me fazia sentir capaz de tudo. Como uma super-heroína, sabe?!

- Sei.. comigo era a mesma coisa.


Os dois ficaram um minuto em silêncio. Ele observava, distraidamente, o movimento matutino fora do café. Evitou encará-la não por medo, mas por saber da capacidade que essa tinha em ler no olhar das pessoas qualquer indício de intempérie emocional. Ela, por sua vez, enquanto formulava algo apropriado para dizer, resolveu brincar com os pequenos farelos do pão que havia comido minutos atrás.


- Olha, eu sei que algo está lhe preocupando. E até sou capaz de imaginar o que seja. – ela o encarou por um longo instante – Mas antes vou lhe dizer uma coisa: você não chegou ao tal ponto...

- Como você pode ter tanta certeza dis... ?

- Por favor – ela elevou a mão espalmada em sua direção – não me interrompa novamente, ou vou lhe dar um tapa aqui mesmo! Conheço você há mais de 12 anos.. e
ele, antes mesmo de você conhecê-lo. Acho que isso basta como resposta. – disse, apontando o dedo em riste – Nem você nem ele chegaram ao tal Limen Vitae. Se ele lhe explicou bem, Limen Vitae é um estado de espírito em que a pessoa não se sente ligada a ninguém, permanecendo isolada emocionalmente de qualquer outro ser vivo com quem mantinha relações. Sem lembranças, sem remorsos, sem sentimentos. Um completo vegetal.

- Eu sei disso – defendeu-se – E é assim que me sinto agora.

- Não! Não e não! E vou provar:
ele, em algum momento, lhe tratou como um estranho? Deixou de lhe ajudar ou se importar com você? Não! – ela se antecipou com um soco na mesa – Da mesma forma, você sempre teve a mim. Apesar da distância, é claro, mas nunca deixou de atender minhas ligações, responder minhas cartas e se importar com meus problemas..

- Acho que você não me entend... – o barulho do tapa abafou o restante da palavra.

- Não diga que eu não avisei, querido. Eu ainda não acabei! A burrada que aquela outra fez a você foi horrível e imperdoável. Ponto. Mas não use a atitude dela como um esconderijo, por favor. Você não é tão frio quanto julga ser. Você é uma pessoa que se apaixona facilmente. Só isso.

- Era – disse ele com o rosto entre as mãos, prevenindo-se da possibilidade de outro tapa.

- Olhe para mim, cabeçudo! – pediu duramente – Não para o meu decote, nem para a minha testa! Olhe aqui, nos meus olhos. O que lhe aflinge? Me diz o nome desse incômodo.

- Não é incômodo, Beka. É só medo, eu acho. – continuou, depois de uma pequena pausa - Eu gosto dela. Muito. Mas sinto que ainda estou apaixonado pela outra..

- Você sempre foi assim, né? Não consegue se desprender totalmente de alguém, mesmo quando a decisão pelo fim cabe a você. – ela soltou um longo suspiro – Preste atenção, porque não vou repetir: você não está apaixonado pela outra. Você está alimentando uma fantasia! Vocês dois não são mais os mesmos. – envolveu as mãos dele entre as suas – Siga sua vida, querido! Não viva de ilusões e desejos fictícios. Apenas.. – parou para pensar melhor numa conclusão – viva, ok? Deixe as coisas acontecerem, sem planejamento prévio.

- Ok. Vou tentar.

- Promete?

- Só se você me contar como está seu casamento – disse ele, já abrindo um sorriso.

- Ah, vai se foder! – e afastou as mãos dele para longe enquanto os dois caiam no riso.


* Limen Vitae era um conceito defendido por essa pessoa. Depois de assistir “No limiar da vida” (Nära Livet), do diretor Ingmar Bergmar, e combinar com algumas leituras suas de Platão e Socrátes, ele formulou uma ‘tese’ de que, em algum momento de nossas vidas voltamos ao princípio emocional de desligamento e solidão, como nos poucos instantes entre o corte do cordão umbilical e o primeiro contato entre mãe e filho, ao acontecer novamente, em idade adulta.


H (decisão)

Imagem retirada daqui

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Um medroso aventureiro



Quando penso em características marcantes sobre a minha pessoa, a primeira que me vem a cabeça é o medo. Sim, pode não parecer, mas sou uma das pessoas mais medrosas que conheço.


Não me importo muito em refletir sobre os motivos para tal fato. Sei que, de alguma forma, a baixa auto-estima devido aos inúmeros anos de preconceito sofrido quanto ao meu esdrúxulo nome é a causa mais justificável.


Algumas semanas atrás, conversando com um amigo de longa data, tive meus olhos abertos para algo dentro desse assunto que ainda não havia atentado: mesmo sendo esse medroso irremediável, não deixei de fazer coisas que desafiam a coragem de qualquer um por conta disso. Aventurei-me por sepulcros na calada da noite durante boa parte da minha juventude, mesmo temendo e muito esse tipo de ambiente; aceitei fazer parte de uma banda de garagem, mesmo mal sabendo tocar e suando frio a cada ensaio por causa disso; saltei de pára-quedas, mesmo com o meu pavor de voar e de altitude.


E por que sentir medo?! A única conclusão que consegui chegar foi o fato do receio. Receio de dar “um passo maior do que a própria perna”, como bem diz o dito popular. De não ser capaz de prever as conseqüências, logo, não saber como lidar com o desconhecido. Consequentemente, acabar decepcionando, tanto outras pessoas quanto a mim mesmo. Foi assim quando tirei minha carteira de motorista; quando consegui meu primeiro emprego; quando passei no vestibular; quando comecei a estagiar na Cásper.


Porém, como esse amigo que citei me disse, temer algo não significa que você é um medroso. Apenas é o artifício utilizado por alguns para congelar a cena e, assim, poder analisá-la de vários ângulos.


Isso é bom ou ruim?! Prematuramente, julgaria ruim. Mas seria uma avaliação errônea, baseada na inveja que sinto de pessoas aventureiras, que conseguem desvirtuar qualquer imagem de um futuro, aceitando o desafio de peito aberto, sem neuras ou impedimentos cataclísmicos.


Cada um é como deve ser. Impulsivo ou cuidadoso, o trajeto a seguir pode até ser bem diferente, porém, o trecho final, é semelhante para todos. Sem exceção.




H (t[r]emendo)




* Imagem retirada daqui

domingo, 8 de maio de 2011

O código


Transcrição de (parte de uma) conversa telefônica ocorrida em 11 de abril p.p.:

“Alô..”

“Que horas são aí?”

“Hã.. deixa eu ver aqui... 2h15... da manhã!”

“Aí, cabeçudo.. me desculpa! Ainda não to acostumada com esse fuso de 13 horas.. rs”

“Tudo bem.. o que você quer?”

“Nossa! Eu também to morrendo de saudades de você, viu!”

“Desculpa.. peraí, me deixa jogar um pouco de água no rosto.. não desliga!”

2 minutos depois.

“Pronto, meu anjo.. como é que você está?”

“Você se lembra do nosso código?!”

“Código? Claro! Como eu poderia esquecer? ‘O tempo dá-se em fragmentos’”

“Quem foi que o escolheu mesmo? Conte-me a história toda, porque ando meio esquecida.. rs”


Ok, vamos lá. Rebecca e eu namoramos durante 9 meses. Bom, ‘namoramos’ não é o termo exato, mas fiquemos com esse por enquanto.. rs Pois bem, diferente dos outros casais, nunca tivemos uma música ou filme favoritos. Tivemos um código!

Foi em maio de 2000. Mais precisamente, meu 17º aniversário. Lembro-me de ter recebido apenas um presente palpável: um livro. ‘A rosa do povo’, do Drummond. Algumas noites depois, entre várias interrupções, lemos juntos alguns dos poemas ali impressos. Pela manhã, ela me perguntou se, hipoteticamente, não continuássemos mais juntos, ainda assim seríamos amigos. Eu disse ‘não vejo motivo para não sermos’ ou algo parecido. ‘Então, que tal pensarmos num código? Algo que representasse nossa história, sob qualquer circunstância, seja ela boa ou ruim’. Apesar de sonolento, gostei da ideia.

Bem disposta como em toda manhã, ela saiu da cama, saltitando na ponta dos pés até a cabeceira (devo confessar, foi lindo!), ficando ali parada naquela posição de oradora, com aquela camiseta enorme do INXS servindo de bata. E disse solenemente: ‘Eu, Rebecca Letícia de Albuquerque Ruiz, declaro que, de hoje em diante, teremos um código secreto.. que será...’ e ela puxou para si o objeto mais próximo de onde poderia extrair meia dúzia de palavras ‘o tempo dá-se em fragmentos’.

Essa frase, retirada do poema “Assalto”, refletiria não apenas nossa situação atual na época (que não intitulamos de amor!), mas também nossa relação no futuro. Além disso, toda vez que algum assunto delicado precisava ser discutido em particular, bastava invocá-la. Ninguém ao redor entenderia, apenas nós.

Refletindo bem agora, aquilo estava mais para um “eu te amo” disfarçado.. rs Pelo menos, era isso que ela dava a entender, visto os momentos que ela gostava de sussurrá-la.


“Qual é o assunto que está te incomodando, Beka?”

“Por que você nunca me disse?!”

“Disse o quê?”

“Que me amava.. acabei de ler o texto no seu blog. Por que você nunca me disse nada?!”

“Você sabe o porquê.. eu lhe expliquei quando terminamos.. foi medo! Você estava se limitando por minha causa! Seria uma baita injustiça deixar isso acontecer”

“Você não respondeu minha pergunta.. por que você nunca me disse? Uma única vez!?”

“Porque eu sabia que você sentia o mesmo.. e isso culminaria no que eu acabei de dizer..” Alguns segundos depois: “Sei que te magoei omitindo isso, mas seria egoísmo da minha parte se eu tivesse dito”

“Você é mesmo um cabeçudo, sabia?! rsrsrs”

“Que você gosta muito e não sabe viver sem.. rs”

“Gosto nada! Eu te amo, seu bobo!” Depois de alguns segundos: “Você acha que, se eu resolvesse voltar para casa, ainda encontraria a chave debaixo do tapete?”

“Ela ainda está lá, baixinha.. não sei até quando, mas ela ainda está lá”

“Essa conversa daria um belo post, não acha? rs”

“Olha que eu escrevo, hein! Do jeito que anda minha inspiração ultimamente, tô usando tudo! rs”

“Eu tô voltando pra casa, baby.. em breve”


H (e eu não sei se continuo esperando)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Conversação, metamorfose, aquarela

Metamorfose de Narciso, de Salvador Dalí

“Um dia, meu filho, quando você já estiver bem próximo da minha idade, você olhará para essas mesmas lembranças e sentirá falta de tudo relacionado; Porém, e é o mais provável que aconteça, talvez você simplesmente nem as recorde, daí você apenas perceberá que sente falta de algo, sem saber ao certo de quê.”

No feriado mais recente, pela primeira vez eu anos, sentei-me com minha mãe para conversar. Não foi nada programado, até porque, se o fosse, certamente não funcionaria. Mesmo morando juntos todos esses anos, nossas conversas deixaram de ser rotina há pelo menos uma década.

Talvez pelo próprio momento de ambos, foi quase inevitável esse “encontro”. Eu precisava de um “colo” (e minha mãe é ótima pra isso) e ela precisava de dois ouvidos. As palavras brotavam com naturalidade. Mais emotiva do que eu, não demorou muito para ela estar aos prantos. Eu parei de falar. Fiquei ali só olhando para seu rosto já marcado por profundos vincos de sofrimento e auguras. E aqui eu quero abrir um parêntese:

Minha mãe, a primeira de sete filhos, nasceu no interior do Paraná. Perdeu a mãe logo cedo (aos 4 anos) e foi criada pela avó materna. Uma educação rígida: mulher não tinha que estudar; tinha que aprender tudo relacionado ao lar: cozinhar, lavar, passar, cuidar das crianças. O máximo de liberdade que ela conseguiu foram as aulas de costura, isso já com quase 20 anos. Nessa mesma época, surgiu o primeiro pretendente a marido. Ela não o quis. Não queria ficar presa aquela cidade, às lembranças que só lhe faziam mal. Não queria levar uma vida de dona de casa. Tinha o sonho de ser professora. Porém, destino escrito não tem como ser ludibriado. Anos mais tarde, ela conheceu meu pai. Como já estava (segundo a própria) naquela idade crítica onde não choviam tantas opções, resolveu se casar com ele mesmo. E daí já se vão 30 anos como dona de casa. Criando filhos, agüentando desaforos, engolindo revoltas.

Enquanto ela desabafava suas mágoas, eu me perguntava quantas daquelas rugas em seu rosto não eram por minha causa. Quantas noites em claro ou mal dormidas ela não deve ter passado ao meu lado? Quantas vezes foi me defender na escola? E tantas outras coisas que não consigo quantificar agora.. e quando foi que eu lhe agradeci?! Ou, na melhor das hipóteses, tomei conta de sua dedicação?!

Percebi que os meus problemas não passavam de pequenos arranhões perto dos socos e pontapés que a vida já havia lhe dado. Meus olhos ficaram marejados diante de tal sensação. Será que, um dia, serei assim também, frustrado com o rumo que minhas escolhas me levarão?!

Resolvi, a partir daquele momento, parar de transformar meus problemas solucionáveis em obstáculos intransponíveis. Afinal, todos nós temos alguns. É a nossa forma de lidar com cada um deles que nos define.

E eu, nesse ponto, sou um fracassado. Primeiro, porque ainda não aprendi a lidar (satisfatoriamente) com meus problemas, mesmo quando eles se repetem várias e várias vezes. Arrumo fugas e escapatórias mirabolantes (algumas, bem fantasiosas). Tudo porque não tenho coragem de enfrentá-los (os problemas) de frente. Talvez porque fui criado assim: ao menor sinal de perigo, “corra para as colinas!” (rsrs). Segundo, porque tal maneira de não-enfrentamento acaba, muitas vezes, transparecendo aos demais como uma falha, uma arrogância da minha parte. E não o é. Ao menos, não de todo. É apenas o único modo de agir que conheço.

Ou melhor, conhecia! Graças a algumas pessoas (para as quais estou preparando um post-homenagem em breve), estou conseguindo aprimorar minha auto-estima, aprendendo a enxergar e, principalmente, me sentir completo pelas minhas próprias conquistas.

Assim, sinto que estou deixando de ser (apenas) aquele objeto frio e reflexivo, um ‘espelho voltado aos que me rodeiam’, um pedaço de vidro moldado alheiamente. Metamorfico-me, aos poucos, sem pressa, num quadro inacabado. Minha própria obra de arte. Minha vida de óleo em tela.


H (“O que não me mata, me fortalece”, Friedrich Nietzsche)


* Imagem retirada daqui

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Conversando.. no banheiro?!



Algumas semanas atrás, enquanto estava juntando forças para assistir uma das palestras da 4a semana de biblioteconomia da faculdade, comecei meio que por imposição a participar de uma conversa de duas colegas de curso (que, por motivo de preservação de suas integridades física e moral, ficarão conhecidas como “Estrela-do-mar” e “Primeira mulher”).

Não sei como tudo chegou aquele ponto. Só sei que, no instante em que meu pára-quedas abriu, a confabulação havia chegado a um ponto que, logo presumi, só daria merda.

A Srta. “Primeira mulher”, num ataque pouco elucidativo de curiosidade, queria saber que tipo de coisa os seres humanos do sexo masculino conversavam quando estavam no banheiro. Não acreditando na minha resposta, mesmo com a corroboração do Sr. “Acólito oriental” (outro colega que dispensa apresentações), que se encontrava por ali depois de ser jogado de um cargueiro nipônico, ela disparou aquele que, acredito eu, seja uma das questões mais perturbadoras para o universo feminino em relação ao masculino: “mas, por que os homens não conversam no banheiro?!”

Nos três ou quatro segundos seguintes, acho que devido ao calor do ambiente naquele instante, posso jurar que ouvi o criquilar de um grilo.

Nunca havia imaginado que um dia precisaria responder a essa pergunta! Afinal, existem tantos lugares mais convidativos para um bate-papo entre homens: um barzinho, uma balada, um jogo de futebol, uma aula chata de “Estudo de Usuário” etc. Então, para quê nós, machos reprodutores graças a evolução e a seleção natural, iríamos jogar conversa fora justamente num lugar reservado para (usando termos suaves) eliminar fluídos e manter a (pouca) higiene em dia?!

A descrença desmedida da Srta. “Primeira mulher” me deixou muito encucado. Mesmo demonstrando pouco interesse (ou sapiência daquilo que escrevi no parágrafo anterior), a expressão da Srta. “Estrela-do-mar” também me deixou pensativo. Vou pesquisar um pouco mais sobre isso (sim, eu vou!) e trarei os resultados da minha pesquisa de campo num próximo post.


H (afinal, por que as mulheres conversam no banheiro?!)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

As aparências que nunca enganam

Só uma ilusão de ótica.. ou não..

No fim da semana passada, enquanto conversava com uma amiga da faculdade, ouvi uma frase clichê que, apesar do grande esforço que fiz, não me recordo o número de vezes que já escutei por aí: "... as aparências enganam".

No momento não pensei direito sobre o assunto. A conversa acabou tomando vários rumos, então me deixei levar. Mas aquela frase continuou martelando minha cabeça durante quase todo o fim de semana (pois é, agora tenho tempo de sobra para isso.. rs).

Será mesmo verdade que "as aparências enganam"? Afinal, o que são as "aparências"?! E como elas conseguem nos enganar? Pois é.. essas foram só algumas das dezenas de perguntas que bolei para discutir com uma outra amiga, com quem fui assistir Anjos e Demônios (o post já está pronto!) nessa última terça-feira. Algumas das conclusões a que chegamos realmente me fizeram rever meus atos com relação ao assunto. Vamos a algumas dessas análises:

1) Sei que já falei seguidas vezes aqui sobre expectativas. E não é à toa. Como seres humanos defeituosos (apesar de perfeitos aos olhos do Criador) que somos, baseamos nossas experiências futuras em ilusões. Uma forma muito bonita de deixar os sofrimentos do presente de lado e acumular nossas energias para as ações e/ou acontecimentos que imaginamos para o nosso futuro. Assim também funciona com as pessoas que nos relacionamos. Antes mesmo de trocarmos uma palavra sequer, já analisamos a dita cuja de tal forma que deixaria o próprio Freud perplexo! Em outras palavras: sem conhecer bem a pessoa, acabamos por criar uma "imagem" dela, baseados em primeira e segunda impressões, atos, expressões; mas, principalmente, com base na nossa "idealização";

2) Desse modo, podemos concluir que as tais "aparências" nada mais são do que nossas percepções, nossos julgamentos referentes a essa ou aquela pessoa/fato/momento. Tomem como exemplo a candidata ao Britain's Got Talent, Susan Boyle. Sua primeira apresentação virou hit no Youtube. Por que? Claro que a sua voz é impressionante. Porém, o que mais me chamou a atenção foi a maneira como ela foi "julgada" antes mesmo de começar a canta, assim que disse sua idade. Os jurados pagarem com a própria língua foi o mínimo que poderiam fazer. Depois disseram que foi a maior surpresa que já aconteceu no programa. O típico caso de "pré-conceito" dirigido a alguém que não conhecemos.

Logo, para encerrar, só posso dizer que, na verdade, não são "as aparências" que "enganam", mas nossos julgamentos; nós mesmos nos enganamos. Posso até me equivocar agora, porém, acredito que todos somos do jeito que somos por toda a vida, salvo algumas pequenas adaptações durante o percurso. Uma pessoa muitas vezes tida como extrovertida pode muito bem agir como uma pessoa tímida diante de uma situação nova e/ou atípica. Passada essa fase de adequação, ela simplesmente volta a ser o que sempre foi.

Claro que não me excluo dessa característica humana que citei no passo nº1. Longe disso.. já julguei (e erradamente!) muitas pessoas. Na maioria das vezes, adorei estar enganado.


H ("Não julgues para não ser julgado" ou alguma coisa parecida.. rs)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Silêncio amigável


Antes de começar, gostaria de pedir muitas desculpas àqueles que estão esperando os novos quadros. Por vários motivos, não estou conseguindo terminar minhas pesquisas. Sem contar a pane da merda da Telefonica ontem. Cheguei tão cedo do trabalho, pensando em finalizar minhas pequisas e, quando ligo o micro, cadê a conexão?! Deixemos isso de lado, antes que me estresse de verdade e vamos ao assunto do post.

Há poucas horas, enquanto lutava com meu fone de ouvido que está cismando em querer só funcionar de um lado, inevitavelmente comecei a ouvir e reparar na conversa entre duas meninas, uma sentada ao meu lado e a outra de pé.

Não sei se alguns de vocês já reparou ou passou por isso: durante uma conversa com um amigo, são tantos os assuntos que, depois de algum tempo, simplesmente não há mais o que se falar. Logo, surge o famigerado silêncio amigável. Com essas duas meninas foi a mesma coisa. Tinham tanto para falar que uma acabava "atropelando" aquilo que a outra dizia. Em pouco mais de 25 minutos, o silêncio (graças a Deus!).

Se tem uma, digamos, característica minha que gosto muito é saber ouvir. Claro que faço as minhas palhaçadas (a Jujuba, Irenita, Bekinha podem confirmar.. rs) antes, mas sempre ouço atentamente. Aliás, acho esse o único jeito de se levar uma boa conversa: saber ouvir. Só assim o assunto pode ser discutido plenamente.

Voltando a história: quando vi as duas, cada uma olhando para pontos fixos diferentes, como se estivessem com medo de se encararem, lembrei de um amigo que, nas nossas saidas com a galera, quando acontecia esse silêncio amigável, soltava uma pérola: "amigos, até no silêncio!". Claro que caíamos na gargalhada. Era inevitável. E uma verdade indissolúvel. Uma semana depois que ele morreu (acidente de carro), nos reunimos no mesmo barzinho de sempre. Sentados do lado de fora, todos cabisbaixos, tristes pela perda. De repente, um gruo de amigos passa por nós bem na hora em que um deles fala bem alto "Na verdade, somos amigos até no silêncio!". Foi instantâneo: trocamos olhares e rimos muito. Nem sempre o silêncio precisa da voz para ser compreendido.

"Amizade [...] pode ser explicada de várias maneiras: pela união, proximidade, afeto. Mas, a que eu prefiro é aquela que pode ser sentida pelo longo tempo de um silêncio sorrateiro. É aí que a pura amizade nasce: no silêncio sincero, cercado de uma ensurdecedora compreensão mútua." [M. F.]


H (Nossa Senhora da Telefonica, obrigado por ouvir as nossas preces!)

sábado, 16 de maio de 2009

Pequena pausa: autopsicografia


Postar de um PC diferente do meu é estranho. Mas, como recebi várias reclamações sobre a atualização do blog nessa última semana, lá vamos nós.

Como ainda estou trabalhando nos novos quadros "Diretores" e "Auto-história", resolvi falar sobre algo que me aconteceu no começo da semana no trabalho. Durante uma conversa informal com duas colegas da Cásper (uma da biblioteca e outra da secretaria de pós-graduação), recebi, meio a contragosto, uma verdade sobre uma impressão que transmito à primeira vista.

Apesar já ter conhecimento desse defeito, foi a primeira vez que alguém teve a franqueza de me contar isso. Sei que prego o autoconhecimento por aqui há algum tempo. Mas, vocês hão de concordar comigo: uma coisa é se conhecer; e outra bem mais diferente é saber que as pessoas ao seu redor lhe conhecem. Às vezes, até mais que você mesmo.

Será que eu passo mesmo uma imagem de metido e arrogante?! Será que, num primeiro instante, meu lado sarcástico e irônico aflora de tal forma que as outras pessoas me enxergam como um palhaço filho da puta?! Talvez seja verdade. Talvez, muito influenciado pela minha persistente timidez e falta de jeito para fazer novas amizades, acabe recorrendo demais ao sarcasmo e, dessa forma possa parecer um metido desgraçado, desesperado para se mostrar engraçado.

Mudar eu sei que não vou. O máximo que posso fazer é justamente o que já fiz no parágrafo acima: reconhecer o meu jeito de ser. Agora vou parar por aqui. Minha pausa acabou.. rs


H (;-])