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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Erebd - Acróstico II



Os mais puristas (ou arrogantes, na minha opinião), proclamam pela métrica e rima. Exageram em detalhes e perfeições e chegam a irritar tanto quanto os parnasianos.


Imagino que a beleza do acróstico está na sua funcionalidade. A pobreza poética não significa, necessariamente, uma pobreza de recursos utilizados. Pode-se sim dizer tudo usando-se apenas o essencial.


Nada de floreios, rodeios ou qualquer outro termo que os rime. Um acróstico (mais uma vez, na minha modesta opinião!) deve ser uma sequência simples e imutável. Atingir o ponto que almeja e se retirar, de fininho, como se (numa analogia rasa), ao passar, sujasse o chão na tentativa de chamar a atenção para si. Contudo, também trouxesse a tira colo sua vassoura e assim, desfizesse o serviço, oferecendo-o por completo.


Mas também tenho meus momentos de exceção.. rsrs


Fiquem com o segundo da série:




Com o ávido desejo pela amarga e fina fumaça,
Ignoro os trêmulos reflexos que seu excesso
Galgou em meu semelhante, prolixo e achaque.
Acendo um na (derrocada) esperança de não mais ser
Refém de uma lembrança impregnada, tal como o
Ralo amarelar entre meus dedos, no seu doce apoiar. Em vão.
Obrigado é o que digo a quem, num simples gesto (esse sim!),
Salvou-me da lembrança, fazendo-me, assim, do vício repulsar.




H (espero resistir)


* Imagem retirada daqui

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Vício à flor da pele - Guerra ao Terror


Meus sábados não costumam ser dos melhores a muito tempo. Serve de consolo, ao menos, o fato de as aulas na faculdade onde trabalho ainda não terem começado. Logo, meus sábados têm sido, senão justos, no mínimo, apáticos.

E não foi diferente com esse mais recente. Devido a enormes problemas que circundam meu convívio familiar, tenho tentado ao máximo permanecer pouquíssimos instantes dentro de casa. Sem grandes ideias para esse final de semana, resolvi dormir na casa da “patroa” (ainda bem que ela não sabe que eu tenho esse blog! rsrs), já que é mais fácil (e covarde) fugir de uma batalha que lutar por uma trégua.

Ambos sem o menor tato para montar um bom almoço ou algo que pelo menos parecesse comestível, decidimos de comum acordo ir almoçar fora. Como eu estava muito afim de assistir algum dos concorrentes ao Oscar®, unimos a fome com a vontade de cultura e nos dirigimos até o Shopping Bourbon (a partir daqui, contém spoilers).

Como eu disse alguns posts atrás, nada pode ser mais ilusório e inebriante do que um vício. Um (ou mais) artifício utilizado para se obter alguns poucos momentos de prazer. Um ponto recorrente no excelente drama “Guerra ao Terror” (The Hurt Locker), retrato fidedigno e violento dos soldados de elite no Iraque, que fazem o trabalho mais perigoso do mundo: desarmar bombas.

Dirigido de forma primorosa pela californiana (e filha de bibliotecária!) Kathryn Bigelow, o filme consegue transmitir de uma maneira bem próxima do real todos os elementos recorrentes em suas produções: filme de ação, com personagens e conflitos essencialmente masculinos, em uma busca constante por adrenalina.

O roteiro é assinado pelo jornalista Mark Boal que, em 2004, acompanhou o dia-a-dia de uma equipe de desarmamento de bombas no Iraque e daí tirou sua inspiração. Convidada para torná-lo realidade, Kathryn se mostrou bastante indecisa e resolveu pediu a opinião do ex-marido (ninguém menos que James Cameron!) e esse foi direto: era uma oportunidade para não deixar passar. O resultado?! Uma produção de baixo orçamento, com ar quase documental, mostrando nos mínimos (e ricos) detalhes a tensão de uma companhia militar caminhando o tempo inteiro na fronteira entre a vida e a morte. Um corte no cabo errado, um insurgente detonando o explosivo por telefone, um tiro saindo sabe-se lá de onde, e tudo acaba.

Tenho certeza que Cameron não contava com isso. Com “Inimigos Públicos” e “Invictus” fora da disputa, não vejo outro filme que mereça mais o título de Melhor na noite do Oscar® esse ano do que “Guerra ao Terror”. Uma obra prima que vale ser visto (apesar da apologia, defendendo a invasão e permanência das tropas norte-americanas no Iraque) mais de uma vez, prestando-se atenção ao diálogo próximo do fim entre o sargento James e seu filho. Justifica todo o filme.


H (mais um vício)

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Uma verdade de cada vez - 3a parte


Não é fácil para ninguém admitir que se tem um vício. Até porque, a própria alcunha do termo surge da visão alheia sobre algo que age sofregamente sobre nossos sentidos. Para quem a faz uso (ou é usado), tal ato é tido apenas como uma escapatória, ou ainda, uma maneira prazeirosa de curtir alguns instantes de vida.

Muitas vezes para facilitar uma interação grupal, desafiar parentes ou somente para chamar a atenção (fazendo algo estúpido, na maior parte do tempo), somos compelidos a tomar partido de substâncias duvidosas e tentadoras, verdadeiros chafarizes do convívio sociocultural de uma fase conturbada da vida.

Eu admito. Vivi vários desses momentos, fazendo uso de algo que não me orgulho nem um pouco. Tudo começou como na maior desses casos: influência de amigos. Aos 16 anos, em uma busca desnorteada por identificação, acabei por aceitar tal vício como um passe de entrada para um universo paralelo. Meu universo.

Não foi a mais sábia das decisões. Porém, pior do que o início foi a sua continuação. Porque tudo age como num poço sem fundo. Prevendo que a descoberta de tal malefício por parte dos meus pais seria o fim do paralelismo dos meus universos, tive que inventar e recriar mentiras para justificar meias-verdades ensaiadas com precisão cirúrgica. Cheguei ao ponto de não comentar meus trabalhos de meio-período como office-boy e meu estágio numa escola de informática que, na verdade, era remunerado. Tudo isso para garantir as provisões de sustento do meu vício.

Vivi dessa forma por quase 2 anos, até que uma perda muito significativa me fez rever alguns fatores do que eu gostaria para o meu futuro. Assim, claro, depois de muito custo, abandonei esse artifício questionável.

Contudo, ainda hoje sofro de remorso por não haver contado aos meus pais sobre isso quando tive chance. Talvez tenha sido melhor assim.


H ("dá-me um cigarro")

sábado, 25 de outubro de 2008

Vícios e virtudes.. ou algo parecido

"A persistência da memória", Salvador Dalí


Ando muito impaciente ultimamente. E nem adianta levantar aqui os motivos. São tantos que provavelmente formariam um post por si só. Não sei mesmo o que tem acontecido comigo. Férias. Provavelmente deve ser isso, ou a falta disso. O que eu não faria por alguns dias de paz e sossego..

É realmente muito estranho essa falta de paciência. Até meus 15 anos fui o típico adolescente de pavio curto. Era só ouvir alguma piadinha ou provocação em relação ao meu nome e pronto, já partia pra briga. Quantas confusões e inimizades não consegui com isso!

Mas, aos poucos, conforme você amadurece, percebe que nem tudo na vida deve ser na "tolerância zero". Logo, paciência virou uma das minhas virtudes. E das maiores. Tive e ainda tenho outras: compreensão, simplicidade, alegria, e por aí vai.

Claro que os defeitos existem. E estão aí para equilibrar a balança da vida. Timidez, arrogância, preguiça, e agora, a já citada impaciência. E essa conta piora ainda mais quando você consegue juntar a tudo isso os vícios. E os meus são muitos também (só vou citar alguns, claro!):

* Alimentares: pão-de-queijo; chocolate; refrigerante;
* Físicos: sedentarismo; Friends; boa música;
* Psicológicos: aqui tem um principal que não posso contar por enquanto (sei que minha mãe não lê meu blog, mas vai se saber, né!).

A lista é grande. Mas não seria minha vida se não o fosse. Apesar da falta de paciência, gosto dela assim. Limite todos temos. Ninguém quer ser o bobo da vez, ou servir de "cavalo" para os outros. E a vida é assim mesmo, cheia de surpresas e decepções. Certezas e conquistas. Tudo arraigado aos nossos vícios e virtudes.. ou alguma coisa nesse sentido.


"Você vai ao banco trocar um cheque. A atendente te pergunta:
- Em dinheiro?
- Não. Pode me dar tudo em clipes mesmo."


H ("all we need is just a little patience")