domingo, 31 de agosto de 2008

Sons e barulhos


Sábado. Além de segunda e sexta, esse é o pior dia para se trabalhar. Ainda mais das 8h às 17h! Mas, infelizmente, não sou eu quem decide as tramas dessa "burrocracia" existente hoje na maior parte das nossas Unidades de Informação. E olha que quem decide, nem trabalha aos sábados!

Contudo, essa não é a principal reclamação contida nesse post, mas é necessário para entendê-la: sábado, Sesc-Pompéia; uma apresentação de jazz seria o nosso (da minha namorada e meu) programa para a noite. Uma tentativa de salvar um dia inteiro perdido trabalhando. Chegando lá, um rapaz (que nem faço idéia do nome!) toca uma melodia num piano de cauda. Paramos para ouvir. Simplesmente belíssimo! Enquanto via os dedos do rapaz passear pela teclas, imaginava "como eu adoraria ter esse dom!". Lembramos que os ingressos para a apresentação de jazz eram escassos, porém quando chegamos na bilheteria, um cartaz já dizia "INGRESSOS PARA O JAZZ ESGOTADOS". Sem um plano B na manga, resolvemos continuar assistindo a apresentação do pianista. E, para nossa surpresa, esse já havia encerrado seu dia.

Lastimável. E aqui vou abrir um parêntese: às vezes, sou "obrigado" a ouvir essas "coisas" (foi a melhor palavra que achei para defini-las, sem xingá-las) que para muitos são cunhadas de música. Forró, axé, pagode, sertanejo, funk. A fila é quase infinita de variações ainda mais horríveis quanto as citadas. É "dança do créu", "dança do quadrado", "festa no apê" e daí para pior! Todos os dias, uma infinidade de maus tratos aos nossos ouvidos, e quando temos a oportunidade de ouvir música "de verdade", a cortina é logo cerrada, aplaudimos e voltamos para casa.. sem um bis sequer!

Aplaudir.. certa vez, quando um maestro foi perguntado o que era boa música para ele, esse respondeu: "ela [boa música] tem que ser capaz de nos trazer boas e más lembranças ao mesmo tempo, nos emocionar e nos fazer rir [...] mas, acima de tudo, uma boa música é aquela que nos dá vontade de ficarmos de pé e a aplaudirmos efusiasticamente".

Voltando ao sábado, no final da noite, enquanto esperávamos o ônibus dela, abraçados, ouvimos ao fundo uma "coisa" de uma banda chamada Calipso. Eu não aguentei! Depois de um longo suspiro, minha namorada diz: "algumas trilhas da nossa vida são só sons de fundo". Taí uma "coisa" que eu nunca quero nem como som de fundo: Calipso!


H (fã de John Williams)

2 comentários:

The Owl disse...

O que me consola é achar que quanto mais rodeados de barulho estamos, mais aprendemos a dar valor à boa música.

renata disse...

E ñ é q vc escreve bem Hzito?
kkkk
Bjks