sábado, 31 de outubro de 2015

Player 1: game over



Alguns anos atrás, um pouco depois de nossa reaproximação, você me disse uma frase que, lembro, no momento achei das mais descabidas: “Você não nasceu mesmo para esse ‘jogo’.”

Ultimamente, por motivos que não vale a pena comentar aqui, voltei a refletir sobre isso e (você adoraria ouvir pessoalmente, eu sei!) posso afirmar: a sua versão sobre o meu verdadeiro eu não está muito longe da realidade.

Não sei exatamente o porquê.. ou talvez eu saiba, mas não queira desperdiçar ainda mais tempo pensando sobre isso e chegar a conclusões que me desanimariam além do possível.
A verdade é que eu certamente não sei como se “joga” isso. E ninguém pode dizer que foi por falta de tentativa, de paciência ou mesmo oportunidades satisfatórias. Não.

Talvez seja minha timidez excessiva..

Talvez seja o fato de não querer mais ter aquela postura arrogante e desafiadora de outrora..

Talvez seja apenas a minha mente lógica em conflito constante com sentimentos que, por algum motivo além das estrelas, não consigo mensurar..

Talvez. Minha vida, de alguns anos para cá, virou um grande “sei lá”. Parece que estou desaprendendo a jogar este também.

A única certeza que tenho (além da óbvia) é que você está fazendo mais falta do que nunca. Você saberia o que dizer, mesmo a milhares de quilômetros e certa de que eu não gostaria das suas palavras. Esse era o “nosso jogo”. Eu não gostava, mas, ao menos, sabia jogar.



H (let's poker!)

P.s.: segunda-feira vou te visitar. Daí conversamos mais  ;)

domingo, 6 de setembro de 2015

Amanhecer calmo: um sábado de reflexão



Sábado. O dia amanhece tão preguiçoso quanto eu. Nem o banho gelado (sim, eu adoro!) e o café sem açúcar que tomo antes de sair parecem ajudar na disposição que preciso. O que me anima é o fato de saber que este não será o único café que tomarei ao longo do dia. Sim, eu ainda me contento com pouco.

Como toda pessoa (ou a grande maioria) de “meia idade”, adquiri uma mania que alguns amigos, por várias vezes, já apelidaram de TOC: procuro organizar tudo que utilizarei logo cedo ainda no dia anterior. Pensando bem, de certa forma, isso é um TOC. Mas não ligo para isso. Estou ficando velho e acho que posso me permitir uma psicose ou outra. Mantem a mente ocupada e me deixa sempre alerta.

Saio de casa tranquilamente. Prefiro sempre reservar alguns minutos de folga para fazer uma caminhada pausada até o ponto de ônibus.

Sei que pode parecer estranho, mas, apesar de detestar acordar cedo, eu gosto de manhãs. Acho que capitei isso por osmose, já que um grande amigo era idêntico neste quesito. Gosto de apreciar a variedade de cores, o aroma mais fresco e (em certos dias) mais úmido do ar. Até aquela brisa fria e dilacerante tenho como um coringa.

Na metade do caminho, um casal passa por mim numa corrida sincronizada. Eu solto outra bufada de fumaça do cigarro, que logo desaparece em redemoinho acima da minha cabeça. E penso: respeito muito quem acorda tão bem disposto a ponto de promover uma corridinha pelo bairro, com o cônjuge junto. Mas nunca invejarei isso! De forma alguma. Alguns anos atrás, uma ex-namorada tentou me “por na linha” como ela mesma dizia. Aos finais de semana, acordávamos bem cedo e pedalávamos por quase duas horas sem descanso. O namoro não durou 3 meses. Esforcei-me muito para adquirir esta “barriga de pochete”. Seria, no mínimo, insano fazer ainda mais esforço para perde-la. Não sou tão desalmado com as minhas coisas!

Está uma manhã mais fria do que eu havia previsto. Não que eu me importe com isso. Gosto muito do frio. Além de manter minha sudorese sob controle, ainda me dá mais disposição e auxilia nas minhas já raras horas de sono.

Mais à frente, vejo uma senhora com um casaco puído parada na calçada. Ela olha vagamente para um lado, depois para o outro. Parece perdida ou procurar alguém que está para chegar. Estou a 10 passos dela e não consigo deixar de pensar: “não seria engraçado se ela anunciasse um assalto assim que me visse?”. Eu abro um sorriso amarelo, mais por visualiza-la ir embora com uma mochila surrada contendo um livro, um sanduiche e uma maçã, do que pelo fato disso realmente acontecer.

Quando estou a dois passos da senhora, o MP3 faz uma breve pausa na troca das músicas e posso ouvi-la me chamar. Instintivamente, libero um dos meus ouvidos e me mostro solicito para ajuda-la. Ela me oferece duas coisas. Um “bom dia” muito simpático e sincero; e um panfleto com os dizeres ‘Você está pronto para aceitar Jeová em sua vida?’ na capa.






Eh... a velhinha abre um sorriso como se achasse que isso me ajudaria a estender a mão e aceitar o panfleto de bom grado. Sem saber, ela me coloca num dilema: não costumo negar aceitar o que me é oferecido “na rua” por estranhos. Porém, sou quase um ateu.

Mas decido que ela está com sorte. Levantei de bom humor e o clima frio só faz corroborar essa sensação. Aceito o panfleto e retribuo o cumprimento. Nem preciso dizer qual das duas coisas oferecidas pela velhinha saltou comigo no meu destino, né?!

Este sábado foi estranho. Um bom sábado. Mas sem religião para mim, por favor!



H (religião é o cúmulo)

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Sinais de arritmia



Olá. Tudo bem?


Quanto tempo, não é? Sim, eu sei que sou o culpado pela demora. Na verdade, nem sei se este é o lugar apropriado para fazer o que estou prestes a fazer, mas preciso “colocar no papel” os inúmeros entrelaces que minha mente vem me impondo ultimamente.

Não quero dizer que isso é ruim. Muito pelo contrário. Porém, como alguns pontos acabam afetando outra pessoa, a complicação torna-se evidente. Daí minha dúvida.

Certo.. lá vai: estou apaixonado! Calma, ainda não é o momento de ir direto ao ponto. Preciso, por questão contextual, relembrar algumas particularidades do meu passado.

Seis anos atrás, escrevi um texto bobinho sobre minhas escolhas amorosas. Quase um ano depois disso, lá estava eu novamente me remoendo por uma paixonite cavalar. Pela intensidade da situação em si, decidi me fechar para essas coisas e tentar focar minha vida em assuntos estritamente necessários como minha carreira, família e amigos.

Posso até demonstrar, às vezes, um certo arrependimento quanto a isso. Mas não é assim que me sinto realmente. Esses cinco anos desde então, me ajudaram a confirmar que o sentimento alcunhado por muitos de amor, o mais puro e tocante dos sentimentos que poderíamos nutrir por desconhecidos, não passa de um embuste. Bom, essa é a minha opinião e, na verdade, já ando um pouco cansado de explica-la.

Vivi até muito bem durante esse tempo. Claro que não me entreguei ao completo celibato sentimental. Tive meus “lances”. Prazos curtos a preços irrisórios.

Porém, de uns 9 meses para cá, venho sentindo um pequeno comichão. Desacostumado a lidar com essas coisas, procurei minha terapeuta (um beijo, Dra. Regina!) e, numa das nossas últimas sessões, fui direto: seria possível nos apaixonarmos por alguém com quem (quase) não convivemos? Baseado apenas em alguns gostos correlatos e (principalmente!) por um dos sorrisos mais bonitos que já vi?

Bom, se estou escrevendo este texto, vocês podem imaginar qual foi a resposta dela. Claro que ela me deixou com os dois pés no chão. A (possível) certeza só viria quando estivéssemos frente a frente. E, depois de ensaiar por meses, tirei esse feriado prolongado para isso. EXCLUSIVAMENTE!!!

Que fique bem claro: escrevi tudo isso (depois de uma caminhada na calada da noite) apenas para reforçar o que eu já desconfiava. Continuo achando que o amor não passa de ficção. E sim, estou apaixonado. Mas não espero o mesmo de volta. Seria ótimo, lógico! Porém, o que não consigo deixar de me perguntar (se for recíproco) é ‘será que estou pronto para sair da minha zona de conforto’? E, para essa pergunta, eu ainda não tenho resposta...




H (arritmia)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Descascando o abacaxi



Desde que saí da Cásper Líbero, de forma intempestiva, em 2011, decidi não escrever mais sobre o tema trabalho. Não para tentar satisfazer as vontades de um ou outro. Apenas julguei que o assunto não merecia mais créditos no blog.

Logo o próprio blog perdeu também a graça, então achei irrelevante me explicar sobre isso ou aquilo. Deixei tudo seguir seu rumo e pronto.

Porém, atualmente, como minha terapeuta vem me incentivando a colocar tudo que me incomoda no papel, ponderei ser este o momento para comentar sobre algo tão complexo.

Comecemos pelo início: por que pedi demissão da Cásper Líbero? Não posso dizer que nunca gostei daquele lugar. Trabalhei ali por mais de 5 anos e engoli inúmeros sapos. Tudo em prol de uma carreira que eu ainda não sabia se gostaria de seguir. Do mesmo modo, também não posso negar que foi o período de estágio (11 meses) ali que me auxiliou suportar a conclusão de um curso tão teórico e engessado quanto o da biblioteconomia. Não sei se fiz amigos por lá. Trabalhar com 12 mulheres era algo surreal. Era como conviver com a iminência de um ataque nuclear, tamanho o nível de progesterona no ar. O ambiente era descontraído em datas pontuais como aniversários, copas do mundo, natais e aos sábados (este último, principalmente pelo fato da minha ex-chefe não estar presente). Porém, a pressão desmedida que minha ex-chefe gostava de imprimir em alguns de nós (eu incluso) era algo que beirava o sádico. O clima logo começou a ficar pesado demais para alguém caricato como eu. Depois de me formar, em abril de 2011, passei a buscar novos rumos para minha vida profissional.

Nesse meio tempo, fiz algumas pesquisas sobre a área de consultoria e me empolguei com a possibilidade de por em prática toda a carga teórica acumulada durante a graduação. E, dessa forma, em julho de 2011, por indicação de um grande amigo da biblio, comecei a prestar serviço a um dos maiores jornalistas do país. Ele estava em fase de mudança e gostaria que sua biblioteca ficasse pronta ao mesmo tempo que a reforma de seu novo apartamento, na região de Higienópolis. Trabalhei por 6 meses juntamente com outros dois colegas. Fizemos a higienização e organização de aproximadamente 10 mil volumes, entre livros, CDs e DVDs.

Hoje, considero este um dos mais exaustivos trabalhos que já participei. Mas foi gratificante ver todo o projeto tomar forma. O fato de fazer meus próprios horários e me lançar em algo desconhecido, foram questões que enriqueceram ainda mais a conclusão de tal projeto.

Além deste, prestei consultoria para um colecionador de gibis, sobrinho de uma das minhas professoras da graduação (que foi a responsável por me indicar). Por 4 meses, fiz a higienização e preparo técnico de 5 mil exemplares. Arrependo-me um pouco deste porque me comprometi a cumprir um prazo curto enquanto trabalhava sozinho e, mais de uma vez, precisei revê-lo. Porém, foi igualmente gratificante ver ordem no caos. Além, é claro, de conseguir trabalhar com um material tão incomum na área de biblioteconomia. Aprendi muito sobre higienização e preservação e, até, um pouco sobre homework.

Depois disso, passei por um período de vacas magras. E isso é perigoso. Principalmente para alguém que trabalha nessa área de humanas. Num momento de desespero, com contas acumuladas e pressão de outras pessoas pouco familiarizadas com as suas qualificações, torna-se normal aceitar a primeira empreitada que surge à frente.

E daí chego, enfim, ao São Paulo Futebol Clube. Outro fator que pesava bastante durante o período que trabalhei na Cásper Líbero era o trabalho aos sábados (revezamento). Achava o fim da picada ter de ficar lá, enfurnado até às 17h. Ao sair, prometi que nunca mais aceitaria me subjulgar a isso. Porém, como eu disse no parágrafo acima, o perigo reside na escassez. Depois de três meses sem movimentação positiva de caixa, acabei aceitando uma vaga para trabalhar no cu do submundo luxuoso da cidade, no período noturno, de terça a domingo. O que o desespero não faz com nossos princípios, não é?

No começo, achei ótimo. Seria uma nova experiência profissional, já que se tratava de uma biblioteca dentro de um clube esportivo. Qual seria a demanda? Que tipo de público teria de atender? E qual público teria de (re)conquistar? Várias perguntas me surpreenderam durante os primeiros dias.

Fiz amigos, briguei e batalhei por melhorias. Viabilizei projetos simples, porém de importância ímpar. Porém, não foi fácil. Por várias vezes, vi-me tendo de explicar coisas que, até pouco tempo, achava óbvias. Acumulei novos conhecimentos e até uma nova função que nunca imaginei ser bom o bastante (pretendo escrever mais sobre em breve). 


E hoje foi meu último dia. Apesar de proveitosa, considero que saí de lá derrotado. Vencido pela arrogância e prepotência de alguns tubarões, pessoas que gostam de impor suas vontades às demais, sem levar em consideração suas qualificações, vida particular ou princípios. Nada do que fiz foi com a intenção de focar holofotes sobre mim. Afinal, sou tímido e abomino todo tipo de atenção excessiva. Por outro lado, não sou idiota ao ponto de aceitar que pessoas "empata-fodas" levem créditos por projetos dos quais não contribuíram com nenhuma gota de suor.

Saí, também, por considerar meus domingos sagrados ao ócio e porque acho que minhas qualidades extra-profissionais merecem mais do que a esmola recebida todo dia 5.

Foi divertido, porém estafante. Conheci inúmeras pessoas maravilhosas e uma meia dúzia detestável. Mal sabem elas, mas acabaram acendendo o pavio do meu último projeto. Abram os guarda-chuvas. O ventilador foi ligado e a merda, lançada.




H (Livre)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Fechando círculos


* O texto a seguir não é de minha autoria. Recebi, recentemente, de um amigo. Por sintetizar tudo que sinto durante esta semana, decidi compartilhá-lo com todos.




É
 preciso saber sempre quando se acaba uma etapa da vida.
Se insistirmos em permanecer nela, depois do tempo necessário, perderemos a
alegria e o sentido do resto. Fechando círculos, fechando portas ou
fechando capítulos, como queiras chamar, o importante é poder fechá-los,
 
deixar ir momentos da vida que se vão enclausurando.
Terminou seu trabalho? Acabou a relação? Já não mora mais nessa casa? Deve
viajar? A amizade acabou? Você pode passar muito tempo do seu presente
dando voltas ao passado, tentando modificá-lo... O desgaste será infinito,
 
porque na vida, você, seus amigos, filhos, irmãos, todos estamos destinados
a fechar capítulos, virar páginas, terminar etapas ou momentos da vida, e
seguir adiante.
Não podemos estar no presente sentindo falta do passado. O que aconteceu,
 
aconteceu. Não podemos ser filhos para sempre, nem adolescentes eternos,
 
nem empregados de empresas inexistentes, nem ter vínculos com quem não quer
estar vinculado a nós. Os acontecimentos passam e temos que deixá-los ir!
Por isso, às vezes é tão importante esquecer de lembrar, trocar de casa,
 
rasgar papéis, jogar fora presentes desbotados, dar ou vender livros... As
mudanças externas podem simbolizar processos interiores de superação.
Deixar ir, soltar, desprender-se...
Na vida ninguém joga com cartas marcadas, e tem que aprender a perder e a
ganhar. O passado passou: não espere que o devolvam. Também não espere
reconhecimento, ou que saibam quem você é. A vida segue para frente, nunca
para trás. Se você anda pela vida deixando "portas abertas", nunca poderá  
desprender-se, nem viver o hoje com satisfação. Namoros ou amizades que não
se fecham, possibilidades de "regresso" - pra quê? -, necessidade de
esclarecimentos, palavras que não foram ditas, silêncios... Se você pode
enfrentá-los agora, que o faça!
Não por orgulho ou soberba, mas porque você já não se encaixa ali, naquele
lugar, naquele coração, naquela casa, naquele escritório, naquele cargo...
Você já não é o(a) mesmo(a) que foi há dois dias, há três meses, há um
ano... portanto, nada tem que voltar.
Feche a porta, vire a página, feche o círculo! Você nunca será o mesmo, nem
o mundo à sua volta, porque a vida não é estática. É saúde mental, amor por
você mesmo, desprender-se do que já não está em sua vida. Lembre-se de que
nada, nem ninguém, é indispensável. É um trabalho pessoal aprender a viver
com o que dói, deixar-se ir. É processo de aprender a desprender-se. E isso
ajudará definitivamente a seguir para frente com tranqüilidade. Essa é a
vida!

H (Seguindo em frente)