sábado, 7 de novembro de 2009

Oscar® 2010 - 2a parte


Como eu disse no post anterior, o último dia 5 foi o dito dia mundial do cinema. Acabei me lembrando um pouco em cima da data. Então, infelizmente, deixei de postar meu texto especial para a data, porque ele estava salvo no meu pendrive que, para variar, esqueci em casa.

O quadro de diretores, que já estava pronto, acabou servindo de "tapa buraco". Porém, como Truffaut não é, nem nunca foi, um substituto para nada, aqui está o post "original", aquele separado realmente para isso:

Se vocês não estão lembrados, num longuínquo post de junho, relacionei a 1a parte do que imaginava ser a minha lista de prováveis indicados a premiação do Oscar® 2010. Confesso que pequei em um deles (mas só porque o Martin Scorsese ficou com "medinho"), contudo, dessa vez, acho que criei a "lista perfeita" ("It's alive", como berraria Gene Wilder).

Bom, deixando as brincadeiras para outro post mais adequado, sigamos para a dita relação (em ordem alfabética):

* Amélia: com a mais do que "oscariável" Hillary Swank no papel principal, o filme é uma biografia da aviadora Amélia Eckheart, primeira mulher a atravessar o Atlântico e o Pacífico sem escalas. Na direção, seguindo a nova tendência cinematográfica, está a diretora indiana Mira Nair, que ficou conhecida mundialmente por filmes como "Feira das Vaidades" (2004) e "Nome de Família" (2006). Apesar de fazer alguns filmes medianos e péssimos ultimamente, parece que Hillary Swank sempre encontra uma maneira de participar da festa do Oscar®.



* Chéri: depois de três anos sem apresentar um trabalho inédito, o diretor Stephen Frears traz o seu Chéri para a briga. Seguindo uma linha parecida de seu primeiro sucesso ("Ligações Perigosas"), inclusive na trilha sonora, dessa vez, Michelle Pfeiffer está no papel principal, servindo de iniciadora amorosa para um jovem 20 anos mais novo. Foi o grande sucesso do Festival de Berlim, quando foi apresentado pela primeira vez ao público.



* Coco antes de Chanel: Anne Fontaine já havia me surpreendido com o filme "A Garota de Mônaco", que estreou alguns meses atrás. Porém, com essa biografia da estilista Coco Chanel, ela parece ter se superado e colocado seu nome no hall dos grandes diretores. Aquele biquinho da Audrey Tautou finalmente encontrou um papel perfeito. Ainda não tive a oportunidade de ver, mas a Bequinha continua tentando me empurrar para isso.. rs



* Invictus: o que eu posso dizer? Estou muito ansioso para ver mais esse filme do mestre Clint Eastwood. Já sabia desde o começo do ano que ele estava produzindo um filme sobre o presidente sul-africano Nelson Mandela. E os boatos sobre Morgan Freeman finalmente se tornaram realidade. Pelo trailer é possível perceber que, além do esmero do ator no papel principal, a trilha sonora também deverá ser um destaque na noite máxima do Theatro Kodak.




* Os Piratas do Rock: juntamente com o filme anterior, é aquele que estou mais ansioso para ver (deve estrear por aqui no dia 13 desse mês). Como já disse um amigo meu que teve a sorte de assistir a estréia em Londres, esse "é um filme que todos os fãs do verdadeiro Rock'n'Roll deveriam ver". Richard Curtis, mais conhecido como produtor e roteirista de filmes como "Quatro Casamentos e um Funeral" (1994) e "Um Lugar Chamado Notthing Hill" (1999), é o diretor dessa comédia sobre a revolução das rádios britânicas no final da década de 1960.



* A Serious Man: o mais novo trabalho dos irmãos Coen. Diferentemente do premiado "Onde os Fracos Não Têm Vez" (2007) e muito mais parecido com o engraçadíssimo "Queime Depois de Ler" (2008), conta a história de um judeu entrando em parafuso depois que sua mulher anuncia que vai abandoná-lo. A estréia será na primeira semana de dezembro.



* This is it: não sendo mais possível participar da premiação como Melhor Documentário, resta a esse filme sobre os ensaios do que viriam a ser as últimas apresentações do Rei do pop Michael Jackson, lutar pelas outras categorias. E, pelo que eu vi, brigará com certeza.




H (Agora, é só esperar)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Diretores - François Truffaut



"Expor roupa suja ao público, por meio da arte, nunca leva a uma obra-prima". [F. T.]

François Truffaut nasceu na cidade de Paris, em 6 de fevereiro de 1932. Filho de Roland Lévy e Jeanine de Montferrand, foi criado pelos avós maternos, já que a mãe o tinha como filho bastardo. Foi a avó quem despertou no menino a paixão pela literatura e música. Com sete anos, François viu o primeiro filme no cinema ("Paradis perdu", de Abel Gance).

Aos 10 anos, após perder a avó, foi morar com a mãe, que estava casada com Roland Truffaut, um arquiteto católico. Este acabou registrando o garoto com o seu sobrenome. Rechaçado tanto pelo pai adotivo quanto pela mãe, seu espírito rebelde transformou-o em um mau aluno na escola, levando-o a cometer alguns atos de delinqüência, como pequenos furtos. Naquele tempo, François Truffaut costumava matar aula para assistir a muitos filmes secretamente. A paixão pelo cinema fez o jovem Truffaut largar os estudos e fundar, em 1947, um cine-clube, chamado "Cercle cinémane".

Apesar de modesto, seu cine-clube acabou por atrair a atenção do escritor e crítico de cinema André Bazin. Este tornaria-se uma espécie de "mestre" para François. Sua influência na vida de Truffaut foi decisiva. O jovem tornou-se autodidata, esforçando-se para ver três filmes por dia e ler três livros por semana. Ele até chegou a fazer um acordo com o pai adotivo, que lhe custearia despesas derivadas de sua vida cinéfila. Em troca, Roland Truffaut exigiu que François arrumasse um emprego estável e abandonasse o seu cine-clube de vez. Mas o garoto descumpriu o acordo, e Roland Truffaut internou-o em um reformatório juvenil e passou sua custódia para a polícia.

Quando Truffaut completou 18 anos, Andre Bazin o contratou como seu secretário pessoal. Bazin continuou a lhe dar a formação adequada em cinema, introduzindo-o no "Objectif 49", um seleto grupo de jovens estudiosos do novo cinema da época, como Orson Welles e Roberto Rossellini. Em abril daquele ano (1950), François Truffaut foi contratado como jornalista pela revista “Elle” e passou a escrever seus primeiros textos como crítico de cinema.

Em 1953, Bazin ajudou Truffaut a entrar para sua nova revista, “Cahiers du cinéma”. Sua participação nessa publicação foi de suma importância para o desenvolvimento da sua famosa "Politique des auteurs" (teoria autoral, em português). Neste conceito, o filme é considerado uma produção individual, como uma canção ou um livro. Truffaut defendia que a responsabilidade sobre um filme dependia quase que exclusivamente de uma única pessoa (em geral o diretor).

A "Politique des auteurs" foi a base para o surgimento de um movimento que revolucionaria o cinema francês. Criada por jovens cineastas franceses, a Nouvelle Vague defendia tanto a produção autoral como também uma produção intimista e a baixo custo. Porém, havia uma dúvida: será que um crítico era capaz de fazer um filme? Truffaut estava disposto a provar que sim. Em 1956, foi assistente de produção de Rossellini e, no ano seguinte, fundou sua própria companhia de cinema, a “Les films du Carrosse”.

Contudo, apenas no ano seguinte, quando se casou com Madeleine Morgenstern, filha do rico distribuidor Ignace Morgenstern é que Truffaut conseguiu garantir plena independência artística-financeira para os seus trabalhos.

Em 1973, um de seus maiores sucessos, “A Noite Americana”, vence o Oscar® na categoria de Filme Estrangeiro. Quatro anos depois, atua com perfeição no filme “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, do seu amigo e diretor Steven Spielberg.

Um dos fundadores do movimento Nouvelle Vague e um dos maiores ícones da história do cinema do século XX, Truffaut conseguiu conciliar um grande sucesso de público e de crítica na maior parte das suas produções. Os temas principais de sua obra foram as mulheres, a paixão, mas, principalmente, a infância. Muito recorrente em seus filmes, Antoine Doinel, um alter-ego do diretor, tornou-se uma de suas marcas registradas.

Em quase 25 anos de carreira como diretor, Truffaut dirigiu 26 filmes. Começou a escrever sua autobiografia, juntamente com seu amigo Claude de Givray, porém, devido a problemas de saúde, não conseguiu concluí-la. Faleceu em 21 de outubro de 1984, na cidade de Neuilly-sur-Seine, França, vítima de um tumor cerebral, causado pelo vício do cigarro.

Alguns de seus filmes que eu recomendo:

* Os Incompreendidos (1959)
* Jules e Jim (1962)
* Fahrenheit 451 (1966)
* A Noiva Estava de Preto (1967)
* Beijos Proibidos (1968)
* O Garoto Selvagem (1970)
* A Noite Americana (1973)
* O Homem que Amava as Mulheres (1977)
* O Último Metrô (1980)
* De Repente, Num Domingo (1983)


H (hoje, dia mundial do cinema.. em breve, post especial!)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Momento poesia XXX



Muerte *

¡Qué esfuerzo!
¡Qué esfuerzo del caballo por ser perro!
¡Qué esfuerzo del perro por ser golondrina!
¡Qué esfuerzo de la golondrina por ser abeja!
¡Qué esfuerzo de la abeja por ser caballo!
Y el caballo,
¡qué flecha aguda exprime de la rosa!,
¡qué rosa gris levanta de su belfo!
Y la rosa,
¡qué rebaño de luces y alaridos
ata en el vivo azúcar de su tronco!
Y el azúcar,
¡qué puñalitos sueña en su vigilia!
Y los puñales diminutos,
¡qué luna sin establos, qué desnudos,
piel eterna y rubor, andan buscando!
Y yo, por los aleros,
¡qué serafín de llamas busco y soy!
Pero el arco de yeso,
¡qué grande, qué invisible, qué diminuto!,
sin esfuerzo.

(Federico García Lorca)


H (el vivo)


* Poema publicado, originalmente, no livro “Poeta en Nueva York”, de 1929/30.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dia da saudade



Hoje, dia de finados, longe de ser considerado uma comemoração, para mim é um dia de reflexão, de recordação, dedicado a todos aqueles com quem tive o privilégio da convivência, porém, que por uma fatalidade qualquer, deixaram de existir fisicamente para co-existirem em outro lugar, além de viverem em nossas lembranças.

A primeira vez que fui "convidado" pela D. Morte a sentir falta de alguém foi aos 9 anos. Alguns colegas da escola foram até a minha casa e disseram que um amigo com o qual, quase sempre, voltava para casa, havia morrido num acidente, justamente quando esse voltava da escola.

Eu não sei quanto a vocês, mas, nessa idade, não tinha a mínima noção do que a palavra "morte" significava. Meus pais, reparando que eu não demonstrava estar nem um pouco chocado, resolveram conversar comigo naquele dia sobre isso. Na segunda-feira (tudo aconteceu na sexta anterior), na primeira aula após o ocorrido, fomos todos a escola, porém, a professora resolveu discutir com os alunos o que havia acontecido. Pude perceber nos olhos da professora a emoção que lhe surgiu ao ler o nome desse amigo na lista de chamada.

Ao mudar de cidade, de 1995 a 2001, topei com a D. Morte mais 13 vezes, perdendo familiares (minha bisavó em 1995 e meu avô em 2001) e amigos (inclusive o Michel, em 2001).

Sei que, chamando-a assim de "D. Morte", pode parecer que a considero, que a respeito. Mas não chega a tanto. Apenas sei da sua existência e a julgo merecedora de certa formalidade, nada mais.

Meu avô me disse, certa vez, que o ato de sentimos saudades de alguém denota o quão importante aquela pessoa foi para a nossa formação. Em outras palavras, saudade é sinal da influência do outro em nós.

Por isso mesmo, dedico esse post a todos aqueles que passaram pela minha vida, deixando marcas através de ensinamentos, sorrisos e trejeitos, linguajares e, principalmente, sentimentos. Um dia, espero encontrá-los. Mas, hoje não. Ainda não.

"Por dentro do peito, aqui no lugar onde resguardo meu valente pulsante, sou como uma miscelânea humana, como um Frankenstein [...], sou grato a cada um de vocês porque, se sou o que sou hoje, é devido ao pedaço de cada um de vocês que carrego nesse mesmo peito." [M. F.]


H (It's complicated)

sábado, 31 de outubro de 2009

My bad choices...



O assunto que tentarei desenvolver neste post é, de longe, o mais presente, e, ao mesmo tempo, o mais discutível de todos que permeiam a minha existência. Não esperem dele uma resposta para suas auguras, pois não o será nem para as minhas! Ele será apenas uma análise, minha auto-análise, de uma maneira já esquecida por esse blog:

Ah, o amor! Essa antítese comportamental (como já dizia Camões) que anima e desgasta, conforta e agride. É o sentimento mais irracional e, em contrapartida, imperativo que alguém pode ter.

Sou do tipo de pessoa que se apaixona com certa facilidade. Não julguem, porém, que me aproveitei dessa facilidade para ser infiel com quem quer que seja! Contudo, também não posso dizer que nunca o fui. Mas, se a cometi (a traição), fiz consciente de que o modo como as coisas caminhavam não estava levando a lugar nenhum melhor que um abismo sentimental.

Eu, desde a minha infância, sempre fui um patético! Sim, um patético por completo. Patético porque, apesar da experiência acumulada a cada desilusão, constantemente pecava nos mesmos pontos, cometendo os mesmos erros.. sempre!

Lembro-me do cenário da minha primeira paixonite infantil: 10 anos, 4a série, mãos dadas durante o intervalo, lições (e não só as escolares!) compartilhadas; nada daquela estúpida malícia juvenil explodindo testosterona por todos os poros. Não. Era apenas a inocência e aquele insistente sorriso bobo na cara! Depois veio a mudança (de cidade) e com ela os amores adolescentes, repletos de enganos e sofrimento. Um tropeço maior que o anterior. Não direi que isso foi de todo mal, já que, a partir disso, consegui criar uma “blindagem”, retribuindo na mesma moeda a quem julgava merecedora de tal.

Mas, como nem tudo são flores no reino da arrogância, através dessa forma errada de agir, acabei por cometer erros ainda maiores, batendo de frente com entraves que eu não tinha (ainda) capacidade de enfrentar. Certa vez, no princípio dos meus 17 anos, cometi o maior de todos os pecados em relação ao amor: subestimei o afeto de uma pessoa que, depois de atentar contra si própria, me disse: “um dia, você também passará pelo que eu passei. Nesse dia, sentirei pena de você da mesma maneira que você está sentido agora por mim”.

Nos (quase) dez anos seguintes, tudo voltou a estaca zero. Aquela blindagem, por uma série de motivos (além do citado anteriormente), caiu por terra. A esperança por encontrar alguém parecido, poder compartilhar os mesmos gostos, chegava a ser sufocante. Contudo, o fim era o mesmo em todas as ocasiões: “eu não te amo mais!”.

Hoje, do alto (com 1,67m?! rs) dos meus 26 anos, aprendi que, além da efemeridade do amor, a sua busca (quase uma “caçada”) é, quase sempre, em vão. Talvez porque, para conseguir a felicidade, idealizamos um ser perfeito, nosso próprio boneco de barro, nossa princesa adormecida (ou, no caso das “calcinhas” de plantão, o príncipe encantado) esquecendo, porém, que não fomos nós os criadores do universo. Dessa forma, idealizar não é a melhor saída.

Se tem uma coisa que aprendi de todas as minhas "bad choices" é que o amor não é um jogo, já que para tanto alguém precisaria sair vitorioso sobre o outro. Tenho o amor como uma frágil relação, onde cada um cede algum espaço para chegar num equilíbrio (quase) eterno. O contrário disso, como eu disse, já conheço muito bem!


H (acho que consegui)


* Imagem retirada daqui
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