segunda-feira, 18 de abril de 2011

Jogo sem lógica


Quando ouvi aquela frase “você está, oficialmente, fora da universidade”, vibrei de alegria, pensando “putz, até que enfim!”. Mas algo me dizia que não seria assim tão simples.

Na verdade, acho que estou curtindo mais a universidade agora do que nos últimos seis anos. Um nítido reflexo disso é o dia da semana conhecido como quinta-feira que, nos moldes acadêmicos, também pode ser alcunhado de “Quinta & Breja” pelo povo ecano.

Há poucos dias atrás, numa dessas minhas aparições para “prestigiar” tal evento, uma amiga resolveu desabafar comigo sobre um caso amoroso recente. Não entrarei em detalhes aqui. Fazendo um resumo geral, por n motivos, ela disse que, no momento, não gostaria de ser a “ficante” de alguém, mas sim, ter um namorado.

Sinto-me incomodado quando as pessoas me perguntam se eu entendo o que elas estão dizendo. Porque, na grande maioria dos casos, eu não compreendo. Contudo, pelo bom andamento da conversa, quem nunca disse um “claro!” ou um “entendo sim” para evitar uma digressão ainda maior do seu interlocutor?!

Já ficou claro o que essa amiga me questionou, né? No calor do momento, soltei um “eu entendo seu caso” baseado (confesso), superficialmente, nas experiências semelhantes que tive. Porém, a verdade, é que não consigo entender! A situação em que ela se encontra, tudo bem, não é nenhuma novidade. Já vivenciei zilhões de vezes.

Contudo, o que não entendo mesmo é a razão da outra pessoa. Putz, direto ouve-se uma pessoa dizer que adoraria encontrar alguém que a goste como realmente é, sem cobranças, perseguições, brigas etc. Daí, quando a tal pessoa aparece: “podemos ser só amigos?”; “o problema não é com você, sou eu!”, entre muitas outras.

Fico chateado quando isso acontece com alguém que conheço mais do que comigo. Talvez porque, na minha visão reverberantemente altruísta, sinto-me incapaz de ajudar de alguma forma. A sensação é frustrante.

Voltando a essa amiga, pensei em lhe dizer que, depois de tantos anos desperdiçados erroneamente nesse tópico estúpido da vida de todo ser humano, compartilho do mesmo desejo. Mas me contive. Quando envelhecemos, suplantamos essa mania esquizofrênica de passar sermões e/ou dar conselhos.

Achei melhor não dizer absolutamente nada. Apenas concordei que era uma situação esdrúxula e angustiante. Porém, eu poderia muito bem ter-lhe dito: “o amor é um jogo sem lógica, com um regulamento opaco e juízes nada confiáveis. Não se distraia, nem se acomode. Sue, mas não demonstre. Esteja preparado para correr em círculos, percorrer exorbitantes distâncias sentado debaixo de uma árvore durante um furacão. Tudo, ao final, acaba se transformando naquilo que não deveria ser mas que, de alguma forma, já estava previsto: solidão”. [Michel Ferrera]


H (no "Eterno Drama")


* Imagem retirada daqui

2 comentários:

Bia K disse...

Acredito que na vida há encontros e desencontros, quando dá certo de duas pessoas ficarem juntas e felizes ótimo, mas também acredito que o ser humano é fundamentalmente sozinho, nascemos sós e morreremos sós, enquanto o amor não vem ficamos assim sem par como chinelo de saci, mas nesse meio tempo o remédio é dançar, ainda que sem companhia.

Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que corre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.
(O amor bate na aorta – Carlos Drummond de Andrade)

VioletEyes disse...

Um antigo poema dizia que quando precisarmos de mais uma mão para nos ajudar, encontraremos uma no final de nosso braço.
Somente a solidão nos ensina quem realmente somos. Vivemos sozinhos, porém morremos juntos. Talvez nosso melhor conselho e sermão seja dado de nós mesmos para nós mesmos. Portanto, não morremos sozinhos. Morremos ao lado daquele, talvez único e verdadeiro amigo, que realmente esteve ao nosso lado por toda vida: a outra parte de nós mesmos.