Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amor. Mostrar todas as postagens

sábado, 31 de outubro de 2015

Player 1: game over



Alguns anos atrás, um pouco depois de nossa reaproximação, você me disse uma frase que, lembro, no momento achei das mais descabidas: “Você não nasceu mesmo para esse ‘jogo’.”

Ultimamente, por motivos que não vale a pena comentar aqui, voltei a refletir sobre isso e (você adoraria ouvir pessoalmente, eu sei!) posso afirmar: a sua versão sobre o meu verdadeiro eu não está muito longe da realidade.

Não sei exatamente o porquê.. ou talvez eu saiba, mas não queira desperdiçar ainda mais tempo pensando sobre isso e chegar a conclusões que me desanimariam além do possível.
A verdade é que eu certamente não sei como se “joga” isso. E ninguém pode dizer que foi por falta de tentativa, de paciência ou mesmo oportunidades satisfatórias. Não.

Talvez seja minha timidez excessiva..

Talvez seja o fato de não querer mais ter aquela postura arrogante e desafiadora de outrora..

Talvez seja apenas a minha mente lógica em conflito constante com sentimentos que, por algum motivo além das estrelas, não consigo mensurar..

Talvez. Minha vida, de alguns anos para cá, virou um grande “sei lá”. Parece que estou desaprendendo a jogar este também.

A única certeza que tenho (além da óbvia) é que você está fazendo mais falta do que nunca. Você saberia o que dizer, mesmo a milhares de quilômetros e certa de que eu não gostaria das suas palavras. Esse era o “nosso jogo”. Eu não gostava, mas, ao menos, sabia jogar.



H (let's poker!)

P.s.: segunda-feira vou te visitar. Daí conversamos mais  ;)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Jogo sem lógica


Quando ouvi aquela frase “você está, oficialmente, fora da universidade”, vibrei de alegria, pensando “putz, até que enfim!”. Mas algo me dizia que não seria assim tão simples.

Na verdade, acho que estou curtindo mais a universidade agora do que nos últimos seis anos. Um nítido reflexo disso é o dia da semana conhecido como quinta-feira que, nos moldes acadêmicos, também pode ser alcunhado de “Quinta & Breja” pelo povo ecano.

Há poucos dias atrás, numa dessas minhas aparições para “prestigiar” tal evento, uma amiga resolveu desabafar comigo sobre um caso amoroso recente. Não entrarei em detalhes aqui. Fazendo um resumo geral, por n motivos, ela disse que, no momento, não gostaria de ser a “ficante” de alguém, mas sim, ter um namorado.

Sinto-me incomodado quando as pessoas me perguntam se eu entendo o que elas estão dizendo. Porque, na grande maioria dos casos, eu não compreendo. Contudo, pelo bom andamento da conversa, quem nunca disse um “claro!” ou um “entendo sim” para evitar uma digressão ainda maior do seu interlocutor?!

Já ficou claro o que essa amiga me questionou, né? No calor do momento, soltei um “eu entendo seu caso” baseado (confesso), superficialmente, nas experiências semelhantes que tive. Porém, a verdade, é que não consigo entender! A situação em que ela se encontra, tudo bem, não é nenhuma novidade. Já vivenciei zilhões de vezes.

Contudo, o que não entendo mesmo é a razão da outra pessoa. Putz, direto ouve-se uma pessoa dizer que adoraria encontrar alguém que a goste como realmente é, sem cobranças, perseguições, brigas etc. Daí, quando a tal pessoa aparece: “podemos ser só amigos?”; “o problema não é com você, sou eu!”, entre muitas outras.

Fico chateado quando isso acontece com alguém que conheço mais do que comigo. Talvez porque, na minha visão reverberantemente altruísta, sinto-me incapaz de ajudar de alguma forma. A sensação é frustrante.

Voltando a essa amiga, pensei em lhe dizer que, depois de tantos anos desperdiçados erroneamente nesse tópico estúpido da vida de todo ser humano, compartilho do mesmo desejo. Mas me contive. Quando envelhecemos, suplantamos essa mania esquizofrênica de passar sermões e/ou dar conselhos.

Achei melhor não dizer absolutamente nada. Apenas concordei que era uma situação esdrúxula e angustiante. Porém, eu poderia muito bem ter-lhe dito: “o amor é um jogo sem lógica, com um regulamento opaco e juízes nada confiáveis. Não se distraia, nem se acomode. Sue, mas não demonstre. Esteja preparado para correr em círculos, percorrer exorbitantes distâncias sentado debaixo de uma árvore durante um furacão. Tudo, ao final, acaba se transformando naquilo que não deveria ser mas que, de alguma forma, já estava previsto: solidão”. [Michel Ferrera]


H (no "Eterno Drama")


* Imagem retirada daqui

terça-feira, 1 de março de 2011

Verbo intransitivo


Alguns dias atrás me questionaram sobre você. Não diretamente, claro! Até porque, não são todos que lhe conhecem como eu conheci e/ou sabem da história que tivemos.

Alguém que, até então, era-me desconhecido, fez-me a mesma pergunta que há tempos não ouvia: “você já amou alguém?”. Confesso que fui pego de surpresa. Não pela pergunta em si, um mero acaso, comum nessas ocasiões em que desconhecidos são postos frente a frente.

O motivo da surpresa foi o vislumbre que ela me remeteu: nós dois, numa cama. Eu, quase imóvel. Apenas o tórax arfando em curtos intervalos e a mão esquerda, se embrenhando pelo seu cabelo cor de fogo. Sua cabeça, aninhada ao meu peito, seguia esse ritmo de elevador, enquanto seus dedos dedilhavam minhas costelas, seu “piano imaginário”, como você mesma dizia.

O quarto que, até alguns minutos antes se assemelhava a um canteiro de obras, agora encontrava-se invadido por uma bruma de silêncio. De repente, crente que estava adormecida, ouço um sussurro semelhante a sua voz:

“posso fazer uma pergunta?”

“você quer dizer ‘outra’ pergunta, não é?”

“isso, seu palhaço!”

“desde que você me conceda o direito de não-reposta, fique à vontade”

“mais do que já estou?!”

“e quem é o palhaço agora?!”

“você já amou alguém?”


Todo esse flash me veio a mente nesse dia, naquele círculo de amigos. Foi estranho relembrar tudo isso. Sentir saudade, sabe?! Afinal, a saudade que sentimos, na maioria dos casos, e especialmente neste, não passa da sensação de que algo não foi totalmente apreciado. E, mesmo nossa história sendo tão breve, posso dizer, seguramente, ela teve um começo, um meio e um fim.

“como assim? Explique-se melhor!”

“Ué, simples: você já gostou de alguém a ponto de não perceber a existência de mais ninguém em sua vida?”

“não. Acho que não.”

“nesse quesito não existe ‘acho’, baby!”

“então você já tem a sua resposta”

“é.. eu também”


Lembro-me, agora, de nunca mais termos tocado (tão abertamente) no assunto. Sei que você gostaria. Mas não o fez. Posso deduzir, como principal motivo, nossos momentos exteriores: prometemos mutuamente não deixar nada interferir. Contudo, foi em vão. O fim refletiu muito bem isso. Era nítido que você tinha outras paixões. Eu desconhecia tudo que vinha depois do “hoje”. Seria muita pretensão minha querer enraizar seu futuro (que eu sabia, seria) brilhante em “nós”. Nossas vidas aspiravam caminhos diferentes; éramos trilhos fadados ao desencontro.

Essa pessoa, que hoje tenho como um amigo, ao ouvir minha resposta, passou às minhas mãos um livro, aberto numa página a ermo, pedindo-me que lesse uma sequência de palavras. Não disse no momento, mas julguei deveras precipitado ler tal trecho assim, fora de um contexto:


"A maior das dores da vida é gostar de alguém e não poder viver com ele. Por quê?... Uma vez, quando eu perguntava o que havia de errado entre nós, ele disse: ‘Você quer que eu abra mão da minha condição humana. E eu não posso fazer isso. Prefiro morrer.’ Eu compreendi de imediato. Respondi: ‘Não morra. É melhor que viva e continue sendo um estranho.’"

(Sándor Márai, “De verdade”, p. 67)


Ao terminar a leitura, vi-me novamente naquele quarto, tentando explicar o quão pequeno e limitado era meu mundo para mantê-la nele. Lembro-me que fiz uma analogia pouco elucidativa sobre uma gaivota e uma gaiola. Você deu aquele seu sorriso de soslaio (que eu apelidei de “Monalisa”) e disse “concordo”.

Hoje, somos amigos. Melhores amigos! E, baseado nisso, quero que você saiba: depois de passado tanto tempo, minha resposta foi diferente daquela que lhe dei. Bem diferente.


H (vivo e revivo)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Momento poesia XXXIII


O Amor


O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..

(Fernando Pessoa)


H (Why?!)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Momento poesia XXVII



(Res) Sentido*

Sentir o amargor de um mal-amado;

a angústia de um não-correspondido;

a tortura de ser ignorado

ou nem mesmo conhecido.


Que sentimento sobrevive assim?

Renegado na sua maior essência,

centrado pelo início, começado pelo fim?

Numa confusão que beira a demência...


E mesmo esquecido, incapaz,

que efêmero sentimento pode ser?

Que de alegria mais se assemelha a dor!


Esse só pode ser o amor!

Do tipo (é óbvio!) racional demais...

... igual ao que tenho por você!

(Rebeca Ortiz)



* Escrita em 20/07/2007



H (dá-lhe, Bequinha! rs)