sábado, 31 de outubro de 2009

My bad choices...



O assunto que tentarei desenvolver neste post é, de longe, o mais presente, e, ao mesmo tempo, o mais discutível de todos que permeiam a minha existência. Não esperem dele uma resposta para suas auguras, pois não o será nem para as minhas! Ele será apenas uma análise, minha auto-análise, de uma maneira já esquecida por esse blog:

Ah, o amor! Essa antítese comportamental (como já dizia Camões) que anima e desgasta, conforta e agride. É o sentimento mais irracional e, em contrapartida, imperativo que alguém pode ter.

Sou do tipo de pessoa que se apaixona com certa facilidade. Não julguem, porém, que me aproveitei dessa facilidade para ser infiel com quem quer que seja! Contudo, também não posso dizer que nunca o fui. Mas, se a cometi (a traição), fiz consciente de que o modo como as coisas caminhavam não estava levando a lugar nenhum melhor que um abismo sentimental.

Eu, desde a minha infância, sempre fui um patético! Sim, um patético por completo. Patético porque, apesar da experiência acumulada a cada desilusão, constantemente pecava nos mesmos pontos, cometendo os mesmos erros.. sempre!

Lembro-me do cenário da minha primeira paixonite infantil: 10 anos, 4a série, mãos dadas durante o intervalo, lições (e não só as escolares!) compartilhadas; nada daquela estúpida malícia juvenil explodindo testosterona por todos os poros. Não. Era apenas a inocência e aquele insistente sorriso bobo na cara! Depois veio a mudança (de cidade) e com ela os amores adolescentes, repletos de enganos e sofrimento. Um tropeço maior que o anterior. Não direi que isso foi de todo mal, já que, a partir disso, consegui criar uma “blindagem”, retribuindo na mesma moeda a quem julgava merecedora de tal.

Mas, como nem tudo são flores no reino da arrogância, através dessa forma errada de agir, acabei por cometer erros ainda maiores, batendo de frente com entraves que eu não tinha (ainda) capacidade de enfrentar. Certa vez, no princípio dos meus 17 anos, cometi o maior de todos os pecados em relação ao amor: subestimei o afeto de uma pessoa que, depois de atentar contra si própria, me disse: “um dia, você também passará pelo que eu passei. Nesse dia, sentirei pena de você da mesma maneira que você está sentido agora por mim”.

Nos (quase) dez anos seguintes, tudo voltou a estaca zero. Aquela blindagem, por uma série de motivos (além do citado anteriormente), caiu por terra. A esperança por encontrar alguém parecido, poder compartilhar os mesmos gostos, chegava a ser sufocante. Contudo, o fim era o mesmo em todas as ocasiões: “eu não te amo mais!”.

Hoje, do alto (com 1,67m?! rs) dos meus 26 anos, aprendi que, além da efemeridade do amor, a sua busca (quase uma “caçada”) é, quase sempre, em vão. Talvez porque, para conseguir a felicidade, idealizamos um ser perfeito, nosso próprio boneco de barro, nossa princesa adormecida (ou, no caso das “calcinhas” de plantão, o príncipe encantado) esquecendo, porém, que não fomos nós os criadores do universo. Dessa forma, idealizar não é a melhor saída.

Se tem uma coisa que aprendi de todas as minhas "bad choices" é que o amor não é um jogo, já que para tanto alguém precisaria sair vitorioso sobre o outro. Tenho o amor como uma frágil relação, onde cada um cede algum espaço para chegar num equilíbrio (quase) eterno. O contrário disso, como eu disse, já conheço muito bem!


H (acho que consegui)


* Imagem retirada daqui

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Auto-história: o felino made in Brazil



O Brasil, entre as décadas de 1960 e 1980, época da mão de ferro ditatorial, encontrava sua produção industrial em acelerado desenvolvimento graças a JK e seu dom quase exclusivo de “cagar rios de dinheiro”.

Apesar do forte incentivo que a indústria de bens duráveis recebia do governo, a produção automobilística ainda não via o país como um berçário extremamente consumidor.

Sorte da indústria de automóveis tupiniquim e seus corajosos e, porque não, ousados empresários. Com o valor abismal da importação dos esportivos europeus e norte-americanos e/ou sem o menor interesse das grandes montadoras da época (Ford, Volkswagen, GM) em produzi-los por aqui, as pequenas montadoras (quase artesanais) viram aí a brecha que tanto esperavam.

E, com exceção da montadora de Amaral Gurgel, nenhuma atingiu mais sucesso nesse filão de carros-esporte do que a Puma Veículos e Motores Ltda.

A história teve início em 1964, quando Jorge Lettry, que comandava o departamento de competições da Vemag, convidou o projetista Genaro "Rino" Malzoni para um desafio: desbancar os Willys Interlagos da sua supremacia nas pistas nacionais montando um carro a partir do chassi e motorização dos DKW-Vemag.

A missão começou no fim daquele ano, quando Rino Malzoni apresentou o primeiro protótipo do esportivo. Construído numa fazenda de Matão-SP, o carrinho desenvolvia 103cv (mesmo com o motor de 1.080cm³), com uma inspiração nítida na Ferrari 275 GT. Sua carroceria era toda feita com chapas de metal. Seu primeiro nome?! “GT Malzoni”. No fim de 1965, havia ganhado 5 corridas (todas diante dos temidos Willys!), além do prêmio de protótipo do ano.


O sucesso foi tanto que surgiu a idéia da montagem em série do carrinho. Para tanto, foi criada a empresa Lumimari (composto pela junção dos nomes de seus responsáveis: Luís Roberto Alves da Costa, Mílton Masteguin, Mário César de Camargo Filho e Genaro "Rino" Malzoni).

Para a produção em série, o material da carroceria foi trocado por uma mistura de plástico reforçado com fibra-de-vidro. Tinha faróis carenados e logo abaixo ficava a grade oblonga, com frisos horizontais. A distância entre eixos passava de 2,47m (carro de competição) para 2,22m (carro de série). Apesar de contar com um motor de dois tempos e três cilindros, tinha 981 cm3, 50cv de potência, chegando a imprevisíveis 145 km/h.

Em 1966, no V Salão do Automóvel brasileiro, era exposta a sua primeira evolução do GT Malzoni, o Puma GT. Seu desenho coube ao piloto e designer Anísio Campos. Não tinha mais a simplicidade e o despojamento de um carro de corridas: o acabamento era luxuoso. No mesmo ano a pequena empresa tomava parte do Grupo Executivo das Indústrias Mecânicas. A razão social foi mudada para Puma Veículos e Motores Ltda.

Em 1967, a indústria automobilística nacional teve uma reviravolta, começando a se modernizar graças à incorporação de várias indústrias por marcas maiores e com novos conceitos. A Vemag foi absorvida pela Volkswagen. E teve o que viria a ser o ápice e o declínio de um ícone. Nesse ano surge a segunda geração do Puma (agora um VW). Era mais moderna e havia uma inspiração no desenho do superesportivo italiano Lamborghini Miura. Sob o capô ficavam estepe, tanque de combustível e um reduzido espaço para pequenas bagagens. Era um carro para duas pessoas. O diminuto espaço atrás dos bancos era reservado para pequenos objetos.

Em 1969, foi exposto na Europa, numa feira em Sevilha, na Espanha. Começava aí sua carreira internacional (foi exportado para mais de 50 países).


Em 1971 a fábrica colocava nas ruas a versão spyder, o Puma 1600 GTS. Era um conversível muito bonito, com capota de lona. Não era o primeiro do tipo fabricado no país, mas o único disponível na época já que o Karmann Ghia não oferecia mais essa versão.

Em 1974, a fábrica lançou o Puma GTB, com chassi próprio e motor do Opala 6-cilindros, embalada pelo sucesso dos modelos de menor porte. Para estes, em plena era do milagre econômico brasileiro, havia fila de espera (que chegava a 1 ano), mesmo sendo o segundo carro nacional mais caro (só perdia para o Ford Landau). O “Pumão” (apelido carinhoso que recebeu) tinha motor de 140cv, chegando a máxima de 170km/h. Logo a Puma passava a fazer parte da Anfavea, entidade que reúne as grandes e poderosas fábricas multinacionais do país. No ano seguinte os carros-chefes GTB e GTS passavam a utilizar o chassi da Brasília. Com isso a carroceria ficava mais alta e larga, e o comportamento em curvas estava ainda melhor.

Em 1979 a fábrica lançava o GTB reestilizado, chamando-o de Série 2 ou S2. Era mais harmonioso, moderno e bonito que o modelo de 1974: quatro faróis redondos, grade preta com frisos horizontais, frente mais baixa e pára-brisa e traseira mais inclinados.

O declínio da Puma começou em 1984, quando um lote de carros exportados para os EUA foi recusado e voltou para o Brasil: estavam fora das rígidas especificações exigidas pelo país, principalmente no que se refere à segurança. Isso maculou o nome da marca. No Brasil, no começo da década de 80, houve problemas com impostos, obrigações trabalhistas e dívidas com vários fornecedores. Para piorar, a fábrica passou por incêndios e inundações. Nesta época, produziam 400 veículos por mês. Em 1985, depois de uma carreira de sucesso, a Puma pedia concordata devido aos vários problemas enfrentados.

Depois de passar pelas mãos de outras duas montadoras do Paraná, em 1990, com a chegada dos importados no território nacional, a empresa fechava as portas definitivamente para a produção de automóveis. Estima-se que mais de 23.000 carros esporte foram vendidos, volume nem de perto atingido por outros pequenos fabricantes nacionais.

Para quem quiser maiores informações, segue o vídeo da Programa Auto Esporte sobre o "felino" brasileiro:



H (já pilotei um! rs)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Amizade em xeque: Distrito 9



São inúmeras as vezes em que a ficção acaba por ser usada para dar uma lição de moral na vida real. Algumas dessas lições, não raro, passam desapercebidas pela maioria e, como conseqüência, são confundidas com mensagem subliminares.

Já quando a lição é explícita, o problema pela não percepção cabe a nós, seres humanos. Ignorar o que nos é transmitido é um ato que vai da nossa consciência social. Quem se acha no direito de fechar os olhos para isso ou para aquilo, talvez tenha em mente que tudo a sua volta encontra-se perfeitamente bem para ser questionado.

Esse mesmo questionamento sobre o que se passa ao redor é um dos motes centrais do filme que vi na última sexta-feira, “Distrito 9”. Você alguma vez já se perguntou quais são os seus amigos de verdade? Quem irá lhe socorrer se algo fora do comum acontecer? Amor e amizade são sentimentos “blindados” que independem de fatos externos?

Essa enxurrada de perguntas passou várias vezes pela minha cabeça durante o filme. Afinal, com quem eu posso contar, sempre?! É difícil, muito difícil de responder tanto essa quanto as demais perguntas que transcrevi acima (olha os spoilers aí, gente!).

Distrito 9 (District 9) é um filme perturbador. Não só por tratar desses pontos que relacionei antes. Mas, principalmente, por abordar o tema do preconceito (logo farei um post específico sobre isso) de uma maneira um pouco diferente da habitual. Se tivesse feito um filme sobre segregação racial, lutas entre brancos e negros etc., Neill Blomkamp não teria sido levado a sério e/ou chamado tanta atenção quanto fez com seu filme sobre a amizade entre um humano (prestes a se tornar um “mestiço”) e um alienígena. Enquanto um corre atrás da cura para a mutação pela qual está passando, o outro busca a liberdade de seu povo, num desejo saudosista de dias melhores para seus semelhantes. O caminho de ambos acaba entrelaçado porque a vontade de um é a causa do outro. A amizade que surge a partir daí serve de aprendizado para aqueles que, assim como eu, acabam menosprezando o valor futuro que as relações presentes podem nos proporcionar.

É um filme que recomendo mais do que qualquer outro que já vi esse ano. Claro que os efeitos especiais, apesar de fantásticos, devem ser deixados de lado para se apreciar melhor as lições que ele traz. É o tipo de filme para se ver entre amigos (como eu fiz). A discussão que ele pode gerar, pode ser enriquecedora. Ou não. Dependerá, como eu disse no início do post, da maneira como cada espectador assimilou as informações transmitidas.

No meu caso, a discussão foi mais do que proveitosa. Aliada a um texto que li no blog da Rakky, me inspirou para um outro post que aparecerá por aqui em breve. Aguardem...


H (qual o valor da sua amizade?!)

sábado, 24 de outubro de 2009

Diretores - Francis Ford Coppola



"Steven Spielberg e eu somos os únicos cineastas que podemos fazer o que realmente queremos. Eu, porque tenho sorte com os negócios, e Steven Spielberg porque é um gênio." [F. F. C.]

Nascido na cidade de Detroit, em 7 de abril de 1939, no seio de uma família ítalo-americana, teve seu nome do meio escolhido como uma homenagem "indireta" ao empresário Henry Ford, já que nasceu no hospital que leva o nome desse.

Aos nove anos, contraiu poliomielite. Passou boa parte da sua infância resguardado em uma cama. Tinha como principais companhias a TV e uma câmera 8mm do pai. Apesar de negar que sua influência para a sétima arte tenha surgido daí, fica nítida a ligação. Na verdade, Coppola nasceu numa família de artistas: sua mãe era atriz (Italia Coppola), seu pai era compositor e músico (Carmine Coppola) e sua irmã caçula é atriz (Talia Shire); posteriormente, sua filha se tornou atriz/diretora (Sofia Coppola) e seu sobrinho, ator (Nicolas Cage), para ficar nos mais famosos.

Aos 17 anos, depois de ganhar experiência produzindo vários curta-metragens com a câmera do pai, Coppola se inscreve na Universidade de teatro Hofstra. Quatro anos depois, entra na UCLA, renomada Universidade da época, especializada em cinema. Mas o excesso de disciplinas teóricas (e, por conseguinte, a falta de aulas práticas) fez com que ele desistisse da vida acadêmica, indo trabalhar como assistente do diretor de filmes "B", Roger Corman.

Aos poucos, se tornou o homem de confiança de Corman, consquistando cada vez mais espaço para mostrar suas ideias e criações. Apesar disso, Francis se sentia mais a vontade era escrevendo roteiros. Inclusive, o primeiro de seus incontáveis Oscars® veio com o roteiro que ele fez para o filme "Patton - Rebelde ou Herói?", de 1971. Seu sucesso lhe garantiu grandes amizades dentro dos estúdios da Warner, fato que seria imprescindível alguns anos depois.

Em 1968, enquanto dirigia um de seus piores trabalhos ("O Caminho do Arco-Íris"), descobriu um dos grandes talentos da época estagiando na produção desse filme: George Lucas. A amizade entre os dois foi responsável pelas melhores criações que o cinema mundial já viu, além de possibilitar a Coppola a fundação de seu próprio estúdio: o American Zoetrope.

Entre um fracasso e outro, um grande sucesso aqui e ali, o estúdio foi responsável por revelar outros diretores de grande calibre, como Carrol Ballard, Hal Barwood, John Korty, Williard Huyck, Gloria Katz, John Milius, Mathew Robbins e Martin Scorsese. Apesar disso, os blockbusters do estúdio foram mesmo aqueles dirigidos por Coppola.

Isso fica mais evidente se tomarmos como referência apenas a década de 1970, sua fase de maior e melhor produção. Filmes que marcaram uma geração e se tornaram "cult" para outras. Filmes que têm como marca o autoritarismo, às vezes de maneira explícita, outras mais reservadas.

Seus filmes, diferentemente de outros diretores, não segue uma forma básica. Suas obras são todas "primogênitas", se reinventando a cada claquete inicial. Infelizmente, como é natural a cada recomeço, algumas dessas obras deixaram muito a desejar.

Mesmo assim, seus filmes acumularam inúmeras premiações ao redor do globo. Entre eles, 15 prêmios Oscar®. Foi responsável por um fato até hoje inédito na festa maior do cinema: produziu a única sequência vencedora da estatueta de Melhor Filme ("O Poderoso Chefão I e II").

Alguns de seus filmes que eu recomendo:


H (um dos favoritos.. de todos)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Momento poesia XXIX



Como é bom recebermos presentes sem uma data comemorativa prevista.

Na última semana, recebi da Bequinha um livro de poemas do poeta argentino Jorge Luis Borges (foto), “O Aleph”. Ao começar a lê-lo, me senti um verdadeiro ignorante por não conhecer tanto sobre outros poetas além daquelas figurinhas carimbadas da época do colégio.

Pensando nisso, pesquisei um pouco mais e resolvi transcrever dois excelentes trabalhos desse poeta que nasceu em Buenos Aires (1899) e morreu em Genebra (1986):

Um Cego

Não sei qual é a face que me mira
quando miro essa face que há no espelho;
e desconheço no reflexo o velho
que o escruta, com silente e exausta ira.
Lento na sombra, com a mão exploro
meus traços invisíveis. Um lampejo
me alcança. O seu cabelo, que entrevejo,
é todo cinza ou é ainda de ouro.
Repito que perdi unicamente
a superfície vã das simples coisas.
Meu consolo é de Milton e é valente,
porém penso nas letras e nas rosas.
Penso que se pudesse ver meu rosto
saberia quem sou neste sol-posto.


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Do que Nada se Sabe

A lua ignora que é tranquila e clara
E não pode sequer saber que é lua;
A areia, que é a areia. Não há uma
Coisa que saiba que sua forma é rara.
As peças de marfim são tão alheias
Ao abstracto xadrez como essa mão
Que as rege. Talvez o destino humano,
Breve alegria e longas odisseias,
Seja instrumento de Outro. Ignoramos;
Dar-lhe o nome de Deus não nos conforta.
Em vão também o medo, a angústia, a absorta
E truncada oração que iniciamos.
Que arco terá então lançado a seta
Que eu sou? Que cume pode ser a meta?

(Jorge Luis Borges)


H (Brigaduuuuu!)