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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Minha música-chiclete II



Quem acompanhou o quadro sobre os "Compositores" que criei aqui, deve ter sentido falta de alguns nomes de peso desse área. Apesar da ausência de comentários contrários, recebi alguns e-mails na época que questionavam pela presença do Bill Conti, Alan Silvestri e Hans Zimmer.

Realmente foi uma falha minha e peço desculpas por isso. Contudo, como eu havia dito no início do quadro, a escolha seria minha. E, para ela não parecer superficial demais, preferi relacionar apenas aqueles dos quais já havia escutado 3 ou mais trabalhos.

Bom, mas deixando as explicações de lado, esse post trata, na verdade, da mais nova "música-chiclete" que tem me perseguido nos últimos meses. Como já disse no meu post de resumo das férias, um dos filmes que vi e gostei muito foi "O Procurado".

Ele não é o tipo de filme que indico. A maioria das cenas já são mais do que manjadas. Os efeitos até que tiram uma ou outra expressão de surpresa, mas, fora isso, não enriquece em nada. Ele vale mais por dois motivos. O primeiro, vai como dica para os "cuecas": uma das cenas com a gata Angelia Jolie é de arregalar os olhos, cair o queixo e disparar o coração (não necessariamente nessa mesma ordem!) de qualquer marmanjo. O segundo motivo é a real essência desse post: Danny Elfman (foto).

Muito conhecido pelo seu trabalho junto ao diretor Tim Burton, suas últimas composições não estavam me atraindo tanto. Talvez por isso ele também tenha ficado de fora da lista do quadro original dos "Compositores". Porém, sua guitarra mais do que nervosa, me chamou muito a atenção durante o já citado "O Procurado". A aliança das cenas com seus acordes ficou perfeita. Coisa muito difícil em filmes desse gênero.

Baseado nessa exposição acima, segue o clipe de "Little Things", com cenas do filme:



H (são as "little things" que fazem o nosso "day-to-day")

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Compositores - Vangelis


Nascido como Evangelos Odyssey Papathanassiou, em 29 de março de 1943, na Grécia, ele começou a tocar piano aos 4 anos de idade, dando seu primeiro concerto, com músicas próprias, apenas 2 anos mais tarde. Nos anos 60, mudou-se para Paris, onde formou a banda de rock progressivo "Aphrodite's Child" (quando assumiu o nome “artístico” Vangelis), que tornou-se muito popular. Algum tempo depois, estabeleceu-se em Londres, e após a dissolução do grupo, em 1970, Vangelis iniciou sua rica carreira solo. Através de melodias interpretadas nos mais variados teclados eletrônicos (sua especialidade), Vangelis mostrou-se capaz de criar verdadeiras imagens sonoras, característica que torna sua música perfeita para o cinema. Seu trabalho hoje pode ser classificado como "new age", apesar de sua música preceder - e até mesmo transcender - a este gênero.

Tendo realizado suas principais trilhas para Ridley Scott, Costa-Gavras e cineastas de vários países, Vangelis inicialmente compôs para filmes franceses, no final da década de 1970. Ele raramente apresenta-se em público ou dá entrevistas. Seu local preferido é o estúdio, onde compõe e grava álbuns solo ou com parceiros como Demis Roussos e Jon Anderson, bem como trilhas sonoras. Dificilmente alguém não conhece suas músicas: além dos filmes, elas são freqüentemente usadas como trilhas de comerciais.

Foi no início da década de 1980 que vieram suas maiores produções. Em 1981, sua composição para o filme inglês “Carruagens de Fogo” lhe rendeu sua única indicação e premiação do Oscar (até hoje é celebrada como tema dos Jogos Olímpicos). No ano seguinte, em parceria com Ridley Scott, surge um marco da sétima arte em todos os sentidos. A temática inovadora e sombria presente em “Blade Runner” não seria nada sem as magistrais composições de Vangelis. Considerada sua obra prima pelos críticos, seu trabalho nesse clássico só pode ser conhecido por completo recentemente, com o relançamento da versão do diretor. Assistindo-se a esta versão nota-se que, na cena da morte do replicante vivido por Rutger Hauer, todas as explicações que os produtores quiseram verbalizar (através da narração de Harrison Ford) sempre estiveram presentes na versão original do filme: basta que se reverencie a morte serena de Hauer ouvindo atentamente à belíssima "Tears In Rain", que emoldura a cena.

Nos anos 1990, com a volta das trilhas orquestrais, a música de Vangelis ficou um pouco esquecida, porém fez-se presente em "1492: A Conquista do Paraíso" e "Lua de Fel". Vive até hoje na Grécia.

Algumas de suas composições:

* Blade Runner (1982)
* Antarctica (1983)
* Lua de Fel (1992)
* Alexandre (2004)
* El Greco (2007)
É uma pena, mas esse quadro acaba aqui. Adorei fazê-lo porque, graças as pesquisas relacionadas a cada compositor, descobri jóias raras da música instrumental cinematográfica até então totalmente desconhecidas por mim. Espero que todos que acompanharam, tenham gostado tanto quanto eu. Em breve, um novo quadro sobre um assunto co-relacionado.
H (Pesquisem sobre a banda dele.. é muito boa!)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Compositores - Nino Rota


Certa vez, o cineasta Federico Fellini afirmou: "o colaborador mais valioso de todos era Nino Rota. Entre nós estabeleceu-se uma integração total desde "Abismo de Um Sonho". Nossa integração foi interessante: eu tinha decidido ser diretor, e Nino era uma premissa para que continuasse a sê-lo. Tinha uma imaginação geométrica, uma visão musical das esferas celestes, para quem no havia necessidade de ver as imagens de meus filmes”.

Nino Rota nasceu em Milão, em dezembro de 1911, no seio de uma famlia de músicos. Foi inicialmente estudante da Orefice e Pizzetti. Ainda criança, mudou-se para Roma onde terminou os seus estudos no conservatório de Santa Cecília, em 1929, com Alfredo Casella. Mostrou-se um 'enfant prodige' quando, aos onze anos, compôs um oratório intitulado "A Infância de São João Batista".

De 1930 a 1932, Nino Rota viveu nos Estados Unidos. Ganhou uma bolsa de estudo no Curtis Institute of Philadelphia onde frequentou as aulas de composição de Rosario Scalero e as aulas de orquestra dadas por Fritz Reiner. Logo regressou a Itália onde se licenciou em literatura na Universidade de Milão. Em 1937, iniciou a sua carreira docente que o levou à direção do conservatório de Bari, um título que manteve de 1950 até seu falecimento.

A sua entrada para o cinema se deu a partir da década de 1940, coincidindo com um período de grande efervescência cinematográfica através do movimento conhecido mundialmente como neo-realismo. Além de Federico Fellini, Nino Rota trabalhou com outros importantes nomes do cinema, tais como: Renato Castellani, Luchino Visconti, Franco Zeffirelli, Mario Monicelli, King Vidor, Ren Clement, Edward Dmytrik e Eduardo de Filippo. Mas, seu trabalho mais conhecido, foi em colaboração com Francis Ford Coppola e seu pai, Carmine Coppola. Conforme a lenda, depois de inúmeras tentativas frustradas de contato, Francis Ford Coppola foi pessoalmente até a Itália, em 1972, convidá-lo para compor a música de “O Poderoso Chefão”. Quando soube dos detalhes do projeto, Nino Rota aceitou o desafio na hora. A sequência do filme rendeu ao compositor seu único Oscar, em 1974.

O ritmo da música de Rota tem a capacidade de tocar a nossa alma, enquanto tempera imagens memoráveis. Mesmo que determinadas produções não tivessem a capacidade para impressionar o público, sua música marcava presença de forma discreta, mas profundamente envolvente. Ele fazia questão de rotular sua música de marginal, mas ela tinha uma funcionalidade rigorosamente impressionante. Nino Rota morreu em Roma, em 10 de abril de 1979.
Algumas de suas composições:

* A Doce Vida (1960)
* Fellini 8 1/2 (1963)
* Amarcord (1973)


H (Só falta um! Quem será?)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Compositores - Miklos Rozsa


Nascido em 18 de abril de1907 em Budapeste, Hungria, Miklos Rozsa, começou a estudar violino aos cinco anos de idade. Desde cedo mostrou predileção pela música folclórica de seu país, uma influência que persistiu em muitos dos seus trabalhos posteriores. Mesmo com a insistência de seus pais para que estudasse química, Rozsa foi cursar musicologia no Conservatório de Leipzig. Em 1937, Rozsa compôs as partituras dos filmes britânicos "The Squeaker" e "Knight Without Armour" para ganhar algum dinheiro. Pouco tempo depois, o seu trabalho com os compatriotas e cineastas Zoltan e Alexander Korda lhe traria fama mundial e muitas oportunidades. A partitura exótica e sensual de "O Ladrão de Bagdá" (1940) consagrou Rozsa como um compositor dinâmico e criativo, e foi a sua introdução ao cinema americano, uma mídia na qual ele trabalharia proficuamente por mais de 40 anos.

Rozsa iniciou sua lendária associação com o diretor Billy Wilder com a aventura de 1943 "Five Graves to Cairo". Em seguida veio a inesquecível trilha do clássico noir "Double Indemnity". Para o aclamado drama de 1945, "Farrapo Humano", Rozsa com maestria usou o theremin, instrumento eletrônico com um incomparável e sinistro som, a fim de acompanhar as alucinações do alcoólatra Ray Milland. Outras parcerias com Wilder incluem "A Vida Secreta de Sherlock Holmes" (1970) e "Fedora" (1978). O dinâmico trabalho de Rosza em "The Killers" (1946), faria época: o compositor criou um tema recorrente que anunciava os assassinos, que vagarosamente transformava-se no som da porta de uma cela fechando-se, ilustrando assim o destino dos vilões. Esta música posteriormente seria adaptada para o tema da série de TV "Dragnet".

O clássico de Hitchcock "Quando Fala o Coração" (1945) deu a Rozsa a oportunidade de criar uma de suas mais estupendas obras, e merecidamente conquistou seu primeiro Oscar. Ele reprisou o prêmio máximo da Academia com "A Double Life" (1947), de George Cukor. Igualmente memorável foi seu trabalho em dramas épicos, como "Julius Caesar" (1953), na também oscarizada partitura de "Ben-Hur" (1959), e "El Cid" (1961). Rozsa acabou por tornar-se um estudioso do período histórico em que tais filmes se passavam, fazendo meticulosas pesquisas da música e dos instrumentos da época, de modo a refletir de modo acurado os personagens e os assuntos abordados (um exemplo perfeito é "Ivanhoé, O Vingador do Rei", de 1952).

Entre os grandes trabalhos posteriores de Rozsa estão a fantástica "A Nova Viagem de Simbad" (1973), a cativante trilha para o filme de Alan Resnais "Providence" (1977), sua romântica música para "Um Século em 43 Minutos", de Nicholas Meyer (1979), e sua última obra, "Cliente Morto Não Paga" (1982), cuja música é uma bela evocação aos filmes noir para os quais compusera.

Vivendo o restante da vida nos Estados Unidos com sua família, com sua aposentadoria, e ainda se apresentando publicamente como convidado em palestras sobre a arte da música, o grande compositor das trilhas épicas faleceu em 27 de julho de 1995, no Good Samaritan Hospital de Los Angeles, aos 88 anos de idade.

Algumas de suas composições:

* O Ladrão de Bagdá (1940)
* Pacto de Sangue (1944)
* Quando o Coração Fala (1945)
* Os Assassinos (1946)
* A Double Life (1947)
* Quo Vadis (1951)
* Ivanhoé, o Vingador do Rei (1953)
* Todos os Irmãos eram Valentes (1953)
* Ben-Hur (1959)
* El Cid (1961)
* Rei dos Reis (1961)
* Os Boinas Verdes (1967)
* Fedora (1978)
* Cliente Morto Não Paga (1983)


H (now, on twitter)

terça-feira, 24 de março de 2009

Compositores - Max Steiner


Um dos maiores compositores de trilhas sonoras de todos os tempos, Max Steiner, nasceu em Viena, Áustria, no dia 10 de maio de 1888 (um dia perfeito para se nascer, diga-se de passagem.. rs). Filho e neto de empresários do entretenimento, ele herdou o nome Maximilian do avô, dono do Teatro de Viena, onde foram apresentadas operetas clássicas de Johann Strauss Jr. e Franz Lehár. Uma criança prodigiosa, Steiner completou o curso de quatro anos da Imperial Academy of Music em apenas um. Além disso, aos 16 anos de idade, escreveu trilha (música e letra) e libretto de The Beautiful Greek Girl, opereta apresentada durante um ano na capital austríaca. Após anos trabalhando como maestro no teatro inglês - com a Primeira Guerra, teve que abandonar a Inglaterra – ele imigrou para os Estados Unidos. Pouco tempo depois de sua chegada à Nova York, Steiner estabeleceu-se como orquestrador e regente da Broadway, onde, durante quinze anos, esteve envolvido com os shows de alguns dos principais nomes do teatro musical americano, como George Gershwin. Durante esse período, seu único trabalho significativo como compositor foi a fracassada comédia musical Peaches (1923). Com a chegada do cinema sonoro, em 1927, houve, naturalmente, uma demanda por músicos, e foi assim que Max Steiner chegou à Hollywood. Logo, Max foi nomeado chefe do departamento musical do estúdio RKO.

Em 1931, Steiner teve a oportunidade de musicar Cimarron, faroeste que acabou ganhando o Oscar de Melhor Filme. Ele não foi creditado por sua eficiente contribuição, mas era o início de uma das mais admiráveis carreiras da história do cinema e da música. Inicialmente, a maioria nos inúmeros filmes musicados por Steiner só tinha alguns compassos de abertura e encerramento, pois o recurso da trilha sonora ainda não era prática comum. Dois anos depois, ele musicou o famoso King Kong, um de seus trabalhos mais celebrados. Sua trilha ajuda a transformar um filme potencialmente risível numa aventura de fantasia envolvente, de final clássico. Com A Patrulha Perdida (The Lost Patrol, 1934), Steiner assinou a primeira trilha não proveniente de um musical a concorrer ao Oscar. 1935, o último ano de Max Steiner na RKO, foi glorioso. Além de ser diretor musical de O Picolino (com Fred Astaire e canções de Irving Berlin), ele escreveu três trilhas memoráveis: Ela, a Feiticeira (She), Os Três Mosqueteiros (The Three Musketeers) e O Delator (The Informer), que deu ao compositor o primeiro de seus três Oscars. No ano de 1936, Steiner trabalhou para a empresa do produtor David Selznick. Grande admirador de Steiner, Selznick requisitou seus serviços quando produziu seus filmes mais ambiciosos: E o Vento Levou (Gone With the Wind, 1939, o trabalho mais famoso de Max Steiner, e cujo tema principal, parte de uma trilha riquíssima, é imortal), e Desde que Partiste (Since You Went Away, 1944, Oscar pela belíssima música de Steiner).

Já na Warner, o compositor continuou exibindo versatilidade, produtividade e talento espantosos, e ajudou a estabelecer, definitivamente, o padrão da música orquestral "hollywoodiana" da primeira metade do século. Praticante do estilo “europeu clássico”, Steiner escrevia trilhas melodiosas, ricamente orquestradas. Seu contrato com o estúdio foi até 1953, mas o fim do contrato pouco mudou a trajetória do compositor. Excetuando-se alguns trabalhos para a Columbia Pictures e a Republic, por exemplo, ele musicou filmes do seu antigo estúdio até o final da carreira. E embora sua produtividade tivesse começado a diminuir, a capacidade para criar trilhas sonoras arrebatadoras permaneceu.

Em 1959, Steiner trabalhou em Amores Clandestinos (A Summer Place, 1959), do veterano diretor Delmer Daves, que eliminou qualquer possível dúvida quanto ao apelo que a música do compositor ainda poderia exercer; o tema do filme chegou ao primeiro lugar na parada de sucessos na gravação da orquestra de Percy Faith. Os trabalhos de Steiner na década de 60 incluem algumas de suas mais encantadoras criações: Sombras no Fim da Escada (The Dark at the Top of the Stairs”, 1960), O Erro de Susan Slade (Susan Slade), Candelabro Italiano (Rome Adventure, 1962), cujo tema é usado em cerimônias de casamento, e O Preço da Ambição (Youngblood Hawke, 1964). Em 1965, foram lançados seus dois últimos filmes: Somente os Fracos se Rendem (Those Calloways, da Disney), e o terror Sete Noites de Agonia (Two on a Guillotine). O genial Max Steiner morreu no dia 28 de dezembro de 1971, deixando uma autobiografia (“Notes to You”) inacabada.

Algumas de suas composições:


* King Kong (1933)

* Jezebel (1938)


* Casablanca (1942)






H (Maldito Youtube!)

segunda-feira, 16 de março de 2009

Compositores - Maurice Jarre


Maurice Jarre nasceu em 12 de setembro de 1924, em Lyon, França. Filho do diretor técnico de uma estação de rádio local, ele ainda não optara pela carreira musical, até que, aos 16 anos, ouviu a Rapsódia Húngara No. 2, de Lizst. Imediatamente, decidiu que ainda seria um grande regente de orquestra. Estudou percussão no Conservatório de Música de Paris, e tornou-se timpanista na maior orquestra sinfônica da cidade. Posteriormente, estudou composição com Jacques de la Presle, Louis Aubert e Arthur Honegger. Seus profundos estudos de música étnica (especificamente Russa, Indiana, Japonesa, Sul-americana e Árabe) seriam de grande utilidade em seu trabalho no cinema. Após a formatura, Jarre colaborou com Pierre Boulez, compondo música para a companhia teatral de Jean Louis Barrault, e depois tornou-se diretor musical do Teatro Nacional Francês, posição que ocupou por doze anos.

Em 1952, ele compôs o seu primeiro score cinematográfico para o documentário anti-belicista de Georges Franju Hotel des Invalides. Jarre continuou a compor para o teatro nos anos 50 e 60, incluindo vários balés (entre eles, Notre Dame de Paris, constante do repertório tanto do Balé Kirov como da Ópera de Paris), uma ópera para o rádio (Ruiselle, 1954), um concerto para percussão e cordas (1956), Mobiles para Violino e Orquestra (1961), e uma cantata para soprano, contralto, coral e orquestra (Cantates pour une Emente, 1964). A música de Jarre acompanhou um impressionante número de filmes notáveis nos últimos quarenta anos, que incluem triunfos artísticos e muitos sucessos comerciais. Foi agraciado com indicações ao Oscar pelo misticismo de Ghost (1990), sua música majestosa para as gentis criaturas de Na Montanha dos Gorilas (1988), a partitura dramática de A Testemunha (1985), sua música de grande escala para o épico Mohammad, Messenger of God (1977), uma deliciosa canção para Roy Bean, O Homem da Lei (1972) e seu score para o oscarizado filme francês Sundays and Cybele (1963). O terror de Atração Fatal (1987), o charme de Sociedade dos Poetas Mortos (1989), e o humor de Luar Sobre Parador (1988) foram em muito acentuados pela música de Jarre. Em 1994, Jarre foi condecorado como Oficial da Ordem Nacional da República da França pelo Presidente Francois Mitterand. Para a ocasião - que comemorava o qüinqüagésimo aniversário da libertação da França da ocupação nazista, durante a II Guerra Mundial - ele compôs a obra de 15 minutos Liberátion.

Até os dias de hoje, apesar de não compor há mais de 7 anos, ainda é considerado o maior compositor cinematográfico francês.

Algumas de suas composições:

* Lawrence da Arábia (1962)

* Dr. Jivago (1965)

* Passagem para a Índia (1984)

* Mad max: além da cúpula do trovão (1985)

* A Testemunha (1985)

* Atração Fatal (1987)

* Sociedade dos Poetas Mortos (1989)

* O céu se enganou (1989)

* Ghost: do outro lado da vida (1990)





H (logo acaba)


domingo, 1 de março de 2009

Compositores - John Williams: 100º post!


Pois é. Nunca imaginei que conseguiria chegar até esse ponto. Centésimo post! Quem diria.. E para celebrar tal feito, por que não falar sobre uma pessoa de quem sou fã desde minhas sessões diárias de "Sessão da Tarde" e/ou "Cinema em Casa"? Alguém capaz de captar a essência dos sonhos e transformá-la em trilhas memoráveis, marcantes em vários momentos da minha simplória vida. Mas, deixemos de enrolar e vamos a ele:

Desde os anos 60, há um compositor cuja música não sai da cabeça dos amantes de trilhas sonoras. Sejam os temas televisivos de “Perdidos no Espaço”, “Túnel do Tempo” ou “Terra de Gigantes”; a cadência ameaçadora de “Tubarão”; as harmonias de “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” ou ainda as épicas marchas de “Guerra nas Estrelas” e “Indiana Jones” (dentre os mais de 80 filmes e programas de TV para os quais compôs), a música de John Williams, muito imitada, mas nunca igualada, possui tanto impacto quanto as imagens que surgem na tela. O homem parece ter o toque mágico para compor a música perfeita, e isso pode ser comprovado imaginando-se como seriam os filmes citados sem sua trilha musical. Johnny Towner Williams nasceu em Long Island, Nova York, em 8 de fevereiro de 1932. Filho de um músico da orquestra da CBS, aos 18 anos já era um talentoso estudante da Julliard School of Music, tendo inclusive composto seu primeiro concerto para piano. Originalmente tencionando ser reconhecido como músico clássico, John mudou-se em 1955 para a Califórnia, onde posteriormente começou sua carreira no cinema. Sob contrato na 20th Century Fox, tocou piano sob a batuta de mestres como Alfred Newman, Dmitri Tiomkin e Bernard Herrmann, até conseguir um contrato de dois anos na Columbia Pictures, onde trabalhou na orquestração de diversos filmes, dentre os quais se destaca “Os Canhões de Navarone”. Williams logo começou sua carreira de compositor, inicialmente em comédias não muito memoráveis, mas que serviram para aprimorar a sua técnica.

A filmografia de Williams é extensa, tendo ganhado inúmeros Emmys, Grammys e recebido mais de 40 indicações para o Oscar, conquistando o prêmio maior da Academia 5 vezes (“Um Violinista no Telhado”, “Tubarão”, “Guerra nas Estrelas”, “E.T.” e “A Lista de Schindler”). Em sua brilhante carreira destaca-se o prolífico período que vai de 1975 a 1983, quando o maestro compôs, entre outras trilhas, a música dos clássicos de Steven Spielberg e George Lucas, como os já mencionados “Tubarão”, “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” e “E.T.”, além da primeira trilogia de “Guerra nas Estrelas” (“Uma Nova Esperança”, “O Império Contra-Ataca” e “O Retorno de Jedi”).

Ao longo dos anos 80, Williams continuou a compor partituras de qualidade como “O Império do Sol”, de Spielberg, e da trilogia “Indiana Jones”. Na década de 90, o compositor diminuiu seu ritmo de trabalho, limitando-se a filmes de Spielberg (“Jurassic Park”, “A Lista de Schindler”, “Amistad”) e a poucos projetos de diretores renomados, como “Nixon”, de Oliver Stone, e “Sabrina”, de Sidney Pollack. Contudo, a partir de 1999 o compositor parece ter ingressado em um novo ciclo de sua carreira, que teve início com o retorno ao universo de “Guerra nas Estrelas” em “Star Wars Episódio I: A Ameaça Fantasma”, seguindo com “As Cinzas de Ângela” e “O Patriota”, ambos indicados para o Oscar. Já em pleno século 21, Williams continua a nos fascinar com trabalhos superiores como “A. I. - Inteligência Artificial”, e “Harry Potter e a Pedra Filosofal”. Além dos novos trabalhos, várias de suas trilhas mais populares foram relançadas, em novas edições remasterizadas e expandidas, mantendo assim John Williams na condição de um dos compositores de cinema mais populares da história.

Além de sua colaboração para épicos de Irwin Allen, George Lucas e Steven Spielberg, o compositor forneceu memoráveis scores para filmes como “Os Cowboys”, “Nascido a 4 de Julho”, “JFK”, “Um Sonho Distante”, “Esqueceram de Mim”, “Superman” e muitos outros. Hoje, Williams é o mais conhecido compositor de cinema, colaborador permanente de Spielberg e um dos grandes nomes da música em geral, tendo assumido a batuta da Boston Pops Orchestra em 1980. Williams também recebeu um grande número de discos de Ouro e Platina, o que atesta a sua enorme popularidade.

Williams, Spielberg e Lucas: particularidades

Em “Tubarão”, para o qual criou o famoso tema de duas notas, Williams nos mostra quão efetiva pode ser uma trilha, paradoxalmente até mesmo pela ausência de música. Na seqüência da praia lotada de turistas, no feriado, todos os truques que Spielberg utiliza para anunciar o tubarão (movimentos de câmera, etc.) estão presentes, menos a música. Realmente a cena termina em um alarme falso, com duas crianças brincando com uma barbatana falsa. Mas algum tempo depois ouvimos o tema sinistro, e agora sabemos que a ameaça é real graças ao reaparecimento da música. Já as primeiras idéias sobre a música de “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” haviam sido discutidas por Williams e Spielberg ainda durante a produção de “Tubarão”. Sua base seria a canção de Pinóquio, "When You Wish Upon a Star", de modo a exprimir a fantasia e o encantamento infantis que a maior parte dos adultos abandona com o passar dos anos. “Contatos” teve grande parte da música composta antes mesmo de se realizarem as filmagens, com base apenas no roteiro e nos storyboards desenhados por Spielberg. O resultado, como todos sabem, foi uma obra-prima, que só não recebeu o Oscar daquele ano porque John Williams foi derrotado por um concorrente imbatível: ele mesmo, com “Guerra nas Estrelas”. Esta saga concebida por Lucas continha, em um ambiente de ficção científica tipo Flash Gordon, elementos dos antigos seriados e filmes de aventura, capa-e-espada, westerns e guerra, que ele tanto amara na infância e adolescência. E a música por certo refletia essa reciclagem de gêneros. Relembra Lucas que, expressando ao amigo Spielberg o tipo de música que queria para “Guerra nas Estrelas”, este lhe disse que sem dúvida o homem certo para o trabalho era o seu colaborador, Williams. Não devemos esquecer que eram os anos 70, época em que as grandes trilhas orquestrais da era de ouro de Hollywood haviam dado lugar à música pop, que era mais lucrativa para os estúdios.

Algumas de suas (fantásticas) composições:

* Um Violinista no Telhado (1971)
* Tubarão (1975)
* Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança (1977)
* Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977)
* Superman (1978)
* Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida (1981)
* E.T. - O Extraterrestre (1982)
* De Volta Para o Futuro (1985)
* Nascido em 4 de Julho (1989)
* Esqueceram de Mim (1990)
* Hook - A Volta do Capitão Gancho (1991)
* O Parque dos Dinossauros (1993)
* A Lista de Schindler (1993)
* O Resgate do Soldado Ryan (1998)
* As Cinzas de Ângela (1999)
* O Patriota (2000)
* Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001)
* A.I. - Inteligência Artificial (2001)
* Minoriry Report - A Nova Lei (2002)
* Memórias de uma Gueixa (2005)
* Guerra dos Mundos (2005)


H (as antigas são as melhores!)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Compositores - Jerry Goldsmith


Jerrald Goldsmith nasceu em Los Angeles em 29 de fevereiro de 1929, e aprendeu a tocar piano aos 6 anos de idade. Depois de estudar no Dorsey High School e Los Angeles City College durante os anos 40, incluindo aí um semestre de aulas sobre música de cinema com o lendário Miklos Rosza, juntou-se ao departamento musical da CBS em 1950. Inicialmente em um papel secundário, passou em seguida a compor em tempo integral para o rádio e, posteriormente, TV. Sua entrada no cinema deu-se no final dos anos 50 a convite de Alfred Newman, e após um começo hesitante, teve um crescimento surpreendente nos anos 60 ao agarrar todos os tipos imagináveis de assuntos, com alto domínio estilístico.

Pouquíssimos compositores de trilhas sonoras alcançam o reconhecimento do público em geral. Dentre os compositores que despontaram em Hollywood entre o final da década de 50 e o final da de 60, Henry Mancini, John Williams, Ennio Morricone e John Barry tornaram-se mundialmente conhecidos, tendo inclusive freqüentado as paradas de sucesso com seus temas. Jerry Goldsmith, apesar de não ser um nome tão conhecido pelo público como o de seus colegas, pode ser considerado um notável membro dessa elite. Mesmo o espectador ocasional reconhecerá facilmente alguns de seus trabalhos feitos para a TV e o cinema. E tendo sido um dos mais prolíficos compositores norte-americanos do meio, listar apenas uma parte das suas trilhas originais é uma tarefa árdua. Ao longo do tempo, Goldsmith formou uma escola no meio musical cinematográfico, e mesmo tendo formação clássica nunca teve receio das inovações, sendo o primeiro compositor a manter uma seção fixa de instrumentos eletrônicos em sua orquestra.

Após uma experiência difícil com Ridley Scott em Alien, onde o diretor cortou do filme muito da trilha original, inclusive substituindo-a por música clássica nos créditos iniciais e finais, o compositor voltou a trabalhar com ele em A Lenda. Goldsmith lembra de ter passado cinco meses compondo uma trilha que ele classifica como uma das melhores que já fizera. Infelizmente, ele também lembra que seu trabalho, pelo menos na versão americana, foi substituída por uma trilha composta pelo grupo alemão Tangerine Dream. "Quando um filme não fica como o esperado," ele observou, "os responsáveis começam a se agarrar a qualquer coisa para se salvarem. Infelizmente, a última coisa à qual se agarraram foi minha música". A música para A Profecia, seu único Oscar, foi uma das mais fáceis de ser composta. "Foi estranho", ele comentou. "Um dia eu simplesmente sentei e escrevi o material, antes de ir a Roma. Quando voltei, comecei a trabalhar na trilha." O resultado foi uma música intensa, com um dos corais mais marcantes do cinema e que amplificou em muito o impacto das imagens.

É difícil de acreditar que um compositor de qualidade e com um trabalho no cinema que abrange várias trilhas tenha sido tão pouco prestigiado pela Academia de Hollywood. Sua última indicação foi em 1998, por Mulan. Mas Jerry Goldsmith era, acima de tudo, um profissional que, apesar de ter diminuído de produção nos últimos anos de sua vida e ter sido criticado por seus últimos scores, procurava não descuidar da qualidade do seu trabalho. Há alguns anos ele declarou. "Eu estaria queimado há muito tempo se eu simplesmente pegasse um emprego, o dinheiro e desse o fora. Ainda existe um desafio para mim na composição de trilhas. O que me interessa é abraçar um projeto que me ofereça uma chance de fazer algo que ainda não tenha feito. Quando fico inspirado por alguma coisa, a criatividade simplesmente flui. Gosto de uma boa luta. A trilha sempre será feita, mas não fico feliz até que seja bem feita".

No dia 21 de julho de 2004, após anos travando uma silenciosa batalha contra o câncer, Jerry Goldsmith faleceu em sua residência, dormindo. Se fisicamente Jerry não mais estará entre nós, a sua grande obra seguirá conosco, eternizada em filmes, discos e, principalmente, no coração dos seus milhares fãs.

Algumas de suas composições:

* Planeta dos Macacos (1968)
* Patton: Rebelde ou Herói (1970)
* Chinatown (1974)
* A Profecia (1976)
* Alien (1979)
* Jornada nas Estrelas (1979)
* Poltergeist (1982)
* Rambo: Programado para matar (1982)
* Gremlins (1984)
* Instinto Selvagem (1992)
* Los Angeles: Cidade Proibida (1997)
* Mulan (1998)


H (John, você é o próximo!)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Compositores - Howard Shore


Howard Leslie Shore nasceu no Canadá, em 18 de outubro de 1946 e formou-se em piano, composição e regência logo cedo, aos 24 anos. Seus primeiros trabalhos foram realizados para a TV americana em 1975, mais especificamente para o famoso show Saturday Night Live, que desde então revelou talentos humorísticos como Bill Murray, Dan Aykroyd, John Belushi, Adam Sandler, entre outros. No início da década de 80 começou a participar em produções cinematográficas de seu país natal, e tem seus trabalhos mais brilhantes feitos ao lado de seu amigo David Cronenberg, de quem se tornou seu principal colaborador. Na verdade, o que ocorre entre o compositor e o diretor é algo maior do que uma colaboração. Os filmes de Cronenberg e a música de Shore possuem unidade, uma complementaridade rara. A mente e as temáticas exploradas pelo diretor possuem um caráter ousado, perturbador, por vezes insano. Shore transforma esse caráter em música e faz cada partitura expressar a loucura ou a decadência de cada personagem de Cronenberg. A partir do sucesso dos filmes de Cronenberg, o compositor tornou-se popular nos Estados Unidos. Trabalhou com Martin Scorsese em Depois de Horas (1985); após alguns anos, Jonathan Demme, fã dos filmes de Cronenberg, fez amizade com o músico, que a partir daí, compôs belas trilhas para Filadélfia (1993) e o premiado O Silêncio dos Inocentes (1991) - sempre imprimindo um estilo frio, mas dotado de consistência melódica. A partir daí trabalhou em vários outros filmes, mostrando-se como um músico bastante versátil dentro do cinema norte-americano.

Existem muitos diretores de cinema que não gostam de música em seus filmes, enquanto que muitos produtores tentam economizar no orçamento de uma produção, restringindo os gastos com a parte musical. Justamente por isso é que o sintetizador tem sido a alternativa preferida por muitos, para substituir uma orquestra na execução de uma trilha sonora. Contrariando essa tendência, temos então a trilogia “O Senhor dos Anéis”, com partituras que foram executadas por nada mais nada menos do que duas grandes orquestras, respectivamente a Filarmônica de Londres e a Sinfônica da Nova Zelândia. Em todos os instantes do filme, a música participa de forma magistral, através de acordes inspiradíssimos de Shore. A verdade é que a música em “O Senhor dos Anéis” cumpre um papel preponderante quanto a promover a sustentação das cenas, bem como para garantir a construção do sentido de continuidade das imagens. A música de “O Senhor dos Anéis” cria uma atmosfera convincente de tempo e lugar, numa demonstração de que sem a música, seguramente as imagens perderiam o impacto junto ao público. Impossível não perceber a música no filme, mas nem por isso ela rouba a cena e tira os méritos da mesma, apenas auxilia no processo de reforçar as cenas. Como bem frisou o cineasta russo Tarkovski: “Bem usada, a música tem a capacidade de alterar todo o tom emocional de uma seqüência filmica; ela deve ser inseparável da imagem visual a tal ponto que, se fosse eliminada de um determinado episódio, a imagem não apenas se tornaria mais pobre em termos de concepção e impacto, mas seria qualitativamente diferente”.

Algumas de suas composições:

Depois de horas (1985)
Quero ser Grande (1988)
O Silêncio dos Inocentes (1991)
Filadélfia (1993)
Seven – os sete crimes capitais (1995)
The Wonders - o sonho não acabou (1996)
O Senhor dos Anéis – a sociedade do anel (2001)
Gangues de Nova Iorque (2002)
O Quarto do Pânico (2002)
O Senhor dos Anéis – as duas torres (2002)
O Senhor dos Anéis – o retorno do rei (2003)
O Aviador (2004)
Os Infiltrados (2006)
Dúvida (2008)


H (um dos maiores!)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Compositores - Henry Mancini


Enrico Nicola Mancini nasceu em 16 de abril de 1924 em Cleveland, EUA. Mancini cresceu perto de Pittsburgh e estudou com Max Adkins, que também ensinou Billy Strayhorn. Adkins teve um papel chave no crescimento de Mancini como músico: ele apresentou-o a Benny Goodman, que encorajou Mancini a estudar em Juilliard. Mancini foi aceito, mas o ano era 1942, em plena 2ª Guerra Mundial. Após servir na Europa, ele mudou-se para Nova Iorque e foi trabalhar na banda de Tex Beneke como arranjador e pianista. Foi quando conheceu a mulher com quem se casaria. Henry e Ginny, que era bem relacionada com muitos dos jovens talentos que floresciam em Hollywood (inclusive o futuro parceiro de Mancini, o diretor e roteirista Blake Edwards), transferiram-se para a Califórnia. Já na Universal, Mancini compôs músicas para outros compositores, em trilhas de filmes como O Monstro da Lagoa Negra (1954). Sua grande chance veio ao ser contratado para compor a trilha do filme de Orson Welles A Marca da Maldade (1958). Henry quebrou o padrão estabelecido pelos europeus: A Marca da Maldade era sutil, temperado com metais de jazz, e inconfundivelmente americano. Ele sempre considerou-o um dos seus melhores scores.

Mas este era apenas o início: em breve, Edwards levaria Mancini para uma jornada de vôos cada vez mais altos, com Bonequinha de Luxo, A Pantera Cor-de-Rosa, Vício Maldito, A Corrida do Século, e muitos outros sucessos da dupla. Mancini também era um regente muito requisitado, conduzindo orquestras em mais de 50 performances por ano. Regeu, entre outras orquestras, a London Symphony, a Israel Philharmonic, a Boston Pops, a Los Angeles Philharmonic e a Royal Philharmonic Orchestra. Em 1966, 1980 e 1984 fez apresentações para a Família Real Britânica.

Mancini, com seu sorriso gentil e modos educados, foi um compositor único em uma profissão que já é secular. Bernard Herrmann influenciou praticamente a todos os seus colegas, John Barry criou temas memoráveis, Jerry Goldsmith compôs faixas que eram, ao mesmo tempo, dramáticas e melodramáticas, e emigrantes europeus como Max Steiner e Erich Wolfgang Korngold reinventaram a música sinfônica para o cinema. Mancini, durante a sua carreira, fez todas estas coisas, além de ser um pioneiro no uso da orquestra como propagadora de melodias inconfundíveis em sua mistura de jazz e ritmos pop.

Freqüentemente destacava-se de seus colegas ao criar canções estilizadas e maravilhosas, fadadas ao sucesso. Mancini não criava músicas apenas para acompanhar imagens. Com sucesso, mudou a arte e o formato dos álbuns de trilhas sonoras. Ele pegava uma faixa curta ouvida no filme, e a desenvolvia por completo em uma nova gravação feita especialmente para o álbum. Exemplo clássico: "Baby Elephant Walk", de Hatari, que chegou a ganhar versão com letras em português no Brasil, com o título de "Passo do Elefantinho". Por tudo isso, ele obteve um reconhecimento popular até hoje não alcançado por outros compositores do cinema.

Indicado 18 vezes ao Oscar, venceu 4 deles. Quando faleceu de câncer em 14 de junho de 1994, aos 71 anos, Henry Mancini deixou-nos um legado inestimável: clássicos da música popular, mais de 80 trilhas sonoras para o cinema, mais de 20 séries e programas de TV e mais de 90 álbuns lançados.

Algumas de suas composições:

* O Monstro da Lagoa Negra (1954)
* A Marca da Maldade (1958)
* Bonequinha de Luxo (1961)
* Hatari! (1962)
* Charada (1963)
* A Pantera Cor-de-Rosa (1963)
* A Corrida do Século (1965)
* Os Girassóis da Rússia (1970)
* Columbo (1971)
* A Garota de Petrovka (1974)
* Victor ou Victoria (1982)


H (quem nunca cantarolou o tema da Pantera?? rs)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Compositores - Ennio Morricone


O maior dos compositores italianos de música de cinema nasceu em Roma, em 1928. Ainda pequeno, começou a estudar trompete e logo estava na famosa Academia de Música Santa Cecília estudando composição. Na década de 1950 passou a trabalhar em rádio e em arranjos de músicas para outros compositores de teatro e cinema. Nos anos sessenta, Morricone iniciou uma carreira imensamente produtiva no cinema europeu, tendo trabalhado com vários renomados diretores, entre eles Elio Petri, Gillo Pontecorvo, e mais tarde Henri Verneuil e Bernando Bertolucci. Mas Morricone passou a se tornar conhecido no mundo todo por sua criativa linguagem musical presente nos faroestes italianos dirigidos por Sergio Leone. Ele realmente inovou ao usar nessas trilhas elementos até então totalmente estranhos ao gênero, como gritos, assobios e guitarras. Suas pontuações bem humoradas e sincronizadas com ações dos personagens deram ao estilo faroeste um novo sentido, pois a música de certa maneira sugeria um tom mais crítico, mais sarcástico à narrativa dos faroestes. Em Era Uma Vez no Oeste (C´era una volta il West, 1968), as marcantes gaitas e suas guitarras típicas ajudaram a consagrar o seu estilo vulgarmente chamado de “Spaghetti Western” ou “Bang-bang à Italiana”, como se chamava no Brasil. Seus belíssimos temas com tempero italiano contribuíram para que este filme fosse considerado a obra maior do diretor Sergio Leone. O comentado Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso, 1989) leva uma das trilhas mais inspiradas da história do cinema, e marca o início da bem sucedida parceria entre o diretor Giuseppe Tornatore e Ennio Morricone. O premiadíssimo trabalho da trilha deste belo filme conduz o drama de maneira única. É difícil imaginar o que seria do filme sem essa música, sem esses temas. Um dos pontos altos da trilha, o tema de amor de Cinema Paradiso, é composição do filho de Morricone, Andrea Morricone, ainda que em parceria com a melodia do pai. O envolvimento do compositor com o diretor ainda na fase de concepção do roteiro do filme garantiu uma sintonia dramática perfeita entre música e filme. Nos últimos anos, sua música e seu nome ganharam ainda mais fama particularmente junto ao público mais jovem, com a utilização de seus temas nos filmes Kill Bill, do criativo diretor Quentin Tarantino, declarado fã de Morricone.

Desde o início de sua carreira, Morricone sempre fez questão de arranjar e orquestrar suas próprias composições, dispensando a parceria de orquestradores. Com a evolução das técnicas de orquestração e gravação, o compositor assumiu uma postura bastante crítica em relação aos novos talentos, chegando a afirmar que um compositor que não tem o conhecimento e a capacidade de orquestrar suas próprias composições não pode ser chamado de compositor. Polêmicas à parte, por sua valiosa e vasta obra musical para o cinema, Ennio Morricone com certeza já tem o seu lugar garantido no seleto time dos grandes mestres da trilha sonora.

Após suas cinco indicações sem conquistar nenhum prêmio, finalmente Ennio Morricone foi condecorado com um Oscar® honorário no dia 25 de fevereiro de 2006. A Academia de Hollywood decidiu premiá-lo “por sua magnífica e multifacetada contribuição à arte da música de cinema”. A entraga do prêmio coube a Clint Eastwood, que ficou famoso ao atuar na trilogia Por um Punhado de Dólares (1964), Por uns Dólares a Mais (1965) e Três Homens em Conflito (1966), todos os filmes musicados por Ennio Morricone. O compositor nunca quis se mudar para Hollywood, ou tampouco aprender inglês. Até hoje, mora e trabalha em Roma, e apesar dos seus 80 anos de idade, tem feito alguns espetaculares concertos nos últimos anos na Europa. Morricone é um dos compositores de trilhas sonoras mais prolíficos da história tendo composto até hoje música para mais de 400 filmes.


Algumas de suas composições:

Por um Punhado de Dólares (1964)
A Batalha de Argel (1965)
Três Homens em Conflito (1966)
Era Uma Vez no Oeste (1968)
Sacco e Vanzetti (1971)
Meu Nome é Ninguém (1973)
Malena (2000)


H (A Itália corre em minhas veias!)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Compositores - Elmer Bernstein


Nascido na cidade de Nova York no dia 04 de abril de 1922, Elmer Bernstein resolveu dedicar-se à música aos 12 anos de idade. Estudou piano, e gradualmente transpareceu que ele tinha um talento nato para a improvisação. Logo atraiu a atenção de Aaron Copland, que fez com que o jovem estudasse com um de seus pupilos, Israel Sitowitz. Elmer começou a dar recitais ao final de sua adolescência, e aos 21 anos, prestou o Serviço Militar. De uniforme, sua habilidade ao piano lhe seria de pouca valia, mas em virtude de seu grande conhecimento da música americana, ele foi transferido para o Serviço de Rádio das Forças Armadas, onde tornou-se arranjador, e em breve, compositor de músicas incidentais para produções radiofônicas.

Quando deixou o Serviço Militar (1946), Elmer havia composto para uns 80 programas. Apesar desta impressionante produção, teve poucas oportunidades no ramo, e voltou a ser pianista de concertos. Entretanto, em 1949, sua experiência como compositor de rádio foi lembrada, e foi convidado pelo serviço de rádio das Nações Unidas para compor uma partitura para celebrar o armistício conseguido pela ONU em Israel. O programa foi transmitido pela NBC, e foi ouvido pelo estimado escritor/produtor Norman Corwin, que contratou Elmer para compor o score de um de seus dramas de rádio. Este, por sua vez, foi ouvido por um executivo da Columbia Pictures, que convidou-o a musicar 2 filmes, "Saturday's Hero" e "Boots Malone", ambos em 1951.

A longa carreira de Elmer Bernstein, como compositor de cinema, finalmente começara. Contudo, nos primeiros anos, seus trabalhos limitavam-se a filmes menores, até que uma grande produção surgiu em seu caminho – "Os Dez Mandamentos", o épico de 4 horas de Cecil B. DeMille. Victor Young, que compusera a maior parte das trilhas dos filmes anteriores de DeMille, havia falecido, e o produtor/diretor necessitava de alguém que criasse uma partitura no estilo que fora consagrado por Young. Elmer provou que era capaz de fazê-lo, e ao mesmo tempo criar um estilo nitidamente próprio. "O Homem do Braço de Ouro", considerada a primeira grande partitura a utilizar o jazz, valeu a Elmer sua primeira indicação ao Oscar. E seu estilo próprio ficou ainda mais evidente quando a trilha de "Sete Homens e um Destino" definiu o som dos Westerns (e logo ficou conhecido como o tema dos comerciais dos cigarros Marlboro).

Agraciado com vários prêmios por seu trabalho no cinema, TV, teatro e rádio, Bernstein possui 13 indicações ao Oscar, recebendo-o em 1967 pelo score de Positivamente Millie, de George Roy Hill.

Quando soube que Martin Scorsese estava refilmando "Cabo do medo", Bernstein telefonou para o diretor e pediu para adaptar a partitura original de Bernard Herrmann. "Bernard Herrmann foi um dos meus heróis", explica Elmer, "e achei que seria um privilégio adaptar um dos seus scores. Compus 6 minutos de música original, mas usamos na maior parte o trabalho original de Herrmann. Como a versão de Scorsese é bem diferente da original, tivemos de redistribuir as faixas."

Aliás, nenhum outro compositor demonstrou maior preocupação, ou foi mais ativo, para preservar grandes partituras do cinema, produzindo gravações com recursos próprios. Em 1972, Elmer expressou a sua preocupação pelas composições de cinema em um artigo para a revista High Fidelity, intitulado "O Que Aconteceu à Grande Música do Cinema?". E porque acreditava firmemente na necessidade de estabelecer melhores padrões para a apreciação da música de cinema, Elmer criou sua própria gravadora, a Film Music Collection. Neste selo, ele gravou, em muitos casos pela primeira vez, a música de Max Steiner, Franz Waxman, Alfred Newman, Miklos Rozsa, Jerry Fielding, Dimitri Tiomkin, Bernard Hermann, e Alex North.

Em 2001, Bernstein completou 50 anos de carreira no cinema, tendo no período criado mais de 200 trilhas sonoras - foi o único compositor a, até então, atingir tal marca. Faleceu no dia 18 de agosto de 2004, em sua residência na Califórnia, aos 82 anos. Sabia-se que ele estava doente há tempos, mas a causa da sua morte não foi revelada.

"A arte de realmente apoiar um filme dramaticamente, onde o compositor é praticamente uma extensão do roteiro - isso é muito raro hoje em dia, o que torna a morte de Bernstein ainda mais triste", disse à revista Times Marilyn Bergman, presidente da Associação Americana de Compositores, Autores e Editores.


Algumas de suas composições:

Os dez mandamentos (1955)
O homem do braço de ouro (1956)
Sete homens e um destino (1960)
O sol é para todos (1962)
Positivamente Millie (1967)
Bravura indômita (1969)
O último pistoleiro (1976)
Apertem os cintos... o piloto sumiu! (1980)
Trocando as bolas (1983)
Os caça-fantasmas (1984)
Meu pé esquerdo (1989)
Os imorais (1990)
A época da inocência (1993)


H (Venha você também para o Fantástico Mundo do H!!! rsrs)

sábado, 20 de dezembro de 2008

Compositores - Bernard Herrmann


Nascido em Nova York no dia 29 de junho de 1911, Herrmann foi um prodígio que iniciou a compor ainda adolescente. Sua amizade com o então apenas promissor diretor Orson Welles levou-o a compor para muitos dos programas de rádio desse e, também, ao seu primeiro score cinematográfico: “Cidadão Kane” (1941). Em contraste ao estilo que prevalecia em Hollywood, as trilhas de Herrmann, no lugar de luxuriantes arranjos para toda a orquestra, possuíam orquestrações incomuns, normalmente dando ênfase a uma categoria específica de instrumentos. É o caso da música de “Psicose” (1960), composta exclusivamente para cordas. Igualmente inovador foi o uso de temas breves e facilmente reconhecíveis, ao invés de melodias mais longas.

Apesar de Herrmann ter sido um sujeito difícil e irascível, ao longo de sua carreira manteve com sucesso algumas parcerias com diretores e produtores. O compositor é lembrado pelo cinéfilo principalmente por sua colaboração com o mestre do suspense, Alfred Hitchcock. Dentre as muitas trilhas para Hitchcock, destacam-se “O homem que sabia demais” (1956), “Um corpo que cai” (1958) e o já citado “Psicose” (1960).

Tão importante quanto a colaboração com Hitchcock foi a obra de Herrmann dedicada ao cinema fantástico. Como nenhum outro de seus colegas, "Benny" (como seus amigos o chamavam) conseguia não apenas criar melodias para acompanhar as imagens de um filme, mas também transportar essas imagens para a música, elevando-a para uma nova dimensão de impacto.

Muitos discutem se Bernard Herrmann foi o maior compositor de cinema que já existiu. Mas é indiscutível que Herrmann, graças ao seu legado em termos de estrutura musical, uso de instrumentação inovadora e estilo de composição, teve grande influência no modo como os filmes passaram a ser musicados, e conquistou seu lugar na galeria dos grandes compositores da Era de Ouro de Hollywood. Morreu em 23 de dezembro de 1975, algumas horas após encerrar as gravações de “Taxi Driver”.

Algumas de suas composições:

* Cidadão Kane (1941)
* Soberba (1942)
* O fantasma apaixonado (1947)
* O dia em que a Terra parou (1951)
* O homem errado (1956)
* Um corpo que cai (1958)
* Intriga internacional (1959)
* Psicose (1960)
* Fahrenheit 451 (1966)
* Taxi Driver (1976)



H (Norman Bates para presidente! rs)

domingo, 14 de dezembro de 2008

Compositores - Alfred Newman


Recentemente, enquanto via um vídeo no Youtube com as melhores trilhas sonoras de filmes de todos os tempos, tive a idéia que começo a lançar hoje: uma série de biografias dos principais compositores de trilhas sonoras cinematográficas.

Logo na primeira pesquisa, surgiu uma lista imensa de possibilidades. Nomes totalmente desconhecidos, porém responsáveis por arranjos que marcaram época. Dentre os encontrados nas minhas buscas, selecionei 13 nomes admirados e cultuados por qualquer cinéfilo que se preze. Mesmo não os conhecendo de nome ou rosto, pode ter certeza que eles compuseram clássicos da sua infância e juventude (em alguns casos, dos seus pais ou avós também.. rs).

Para o início, não poderia escolher outro que não o considerado mais importante e influente arranjador musical e compositor de Hollywood, Alfred Newman (foto). Nascido em Connecticut, em 1901, Newman é detentor do recorde de indicações e premiações do Oscar (44 indicações, 9 Oscars). Foram mais de 30 anos (1937-1970) de criações sublimes e arranjos magistrais.

Tudo começou aos 8 anos, quando o então pianista prodígio ganhou uma bolsa de estudos com Sigismond Stojowski e se mudou para Nova Iorque. Largou os estudos aos 14 anos para ajudar definitivamente a família ao ser contratado como pianista pelo teatro Strand, na Broadway, e logo aos 18 anos tornou-se um condutor e arranjador musical estabelecido, conhecido e solicitado pelos melhores compositores, inclusive, George Gershwin, Richard Rodgers, Cole Porter, Jerome Kern e Irvin Berlin. Foi graças a este último que Newman, em 1930, foi parar na costa oeste dos Estados Unidos. Quando Berlin foi levado para Hollywood na alvorada da Era do Som, conseguiu levar também Newman. Ele nunca retornou a Nova Iorque depois disso, pois foi logo convidado pela United Artists para ser o diretor musical deste estúdio em ascensão. Seu primeiro score original foi composto para “Street Scene” (1931), um filme produzido pelo chefe de estúdio Samuel Goldwyn. Ainda como diretor musical na UA, em 1933 escreveu a, agora famosa, fanfarra com metais e percussão como “logomusic” da abertura da 20th Century-Fox. Newman deixou a UA no final de 1938. Então, Darryl F. Zanuck o chamou para ser o diretor musical da 20th Century-Fox. Newman ganhou 8 dos seus 9 Oscars para a Fox. Ali, ele criou escola marcando época com seus scores neo-românticos, sensíveis e perfeitamente adaptados às cenas para as quais foram escritos. Newman escreveu praticamente todas as clássicas trilhas sonoras para os filmes mais importantes da Fox na época. O respeito que todos os músicos de Hollywood tinham por ele pode ser bem avaliado pela afirmativa do compositor de temperamento mais difícil da história do cinema, Bernard Herrmann: “Alfred Newman ajudou a elevar o estado da arte da música de filmes à perfeição". Newman deixou a Fox em 1960, mas ele continuou a trabalhar como “free-lancer”. Autor de 142 trilhas sonoras, uma boa parte como arranjador e diretor musical, Alfred Newman morreu em 17 de Fevereiro de 1970, logo depois de compor a trilha sonora de “Airport”. Parte do seu legado está exposto na Biblioteca Alfred Newman na USC, um projeto assumido e mantido por Martha Newman, a esposa do compositor.

Alguns de seus arranjos:

* Morro dos Ventos Uivantes (1939)
* Como Era Verde o Meu Vale (1941)
* A Canção de Bernadette (1943)
* A Malvada (1950)
* Suplício de uma Saudade (1955)
* O Diário de Anne Frank (1959)
* A Conquista do Oeste (1962)
* A Maior História de Todos os Tempos (1965)


H (na profissão errada, eu sei!)