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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Discussões biblioteconômicas


O que cinco anos de inanição não são capazes de fazer com uma mente hiperativa num corpo sedentário?!

Nessa época de férias escolares, enquanto me recordo que falta pouco tempo para a volta das minhas aulas, além do fato de esse ser o meu (provável) último ano de faculdade, sinto uma tristeza porque me lembro do início.

Me senti tão deslocado, demorando mais que o aceitável para me enturmar, que ficou difícil apreciar as inúmeras possibilidades que a faculdade e o curso ofereciam. Nada de EREBDs, ENEBDs, CEPEUSP, Bandeijão etc. Quinta & Breja?! Vinte, trinta minutos no máximo!

Meus veteranos, pessoas que poderiam tornar tais eventos mais simples e presentes em minha vida acadêmica, nem sequer me recepcionaram.

E, talvez, por vontade de fazer a diferença, unida a essa sensação de chegar ao fim da empreitada sem orgulho de nada, olhando pelo caminho percorrido e pensando "será que eu fiz algo para ser lembrado ou, ao menos, digno de lembrança?", resolvi então participar, recentemente, de um grupo de "veteranos" que, entre outras coisas, estão empenhados em garantir uma boa recepção aos novos alunos do curso.

É estranho se sentir ainda útil, apesar da "alta quilometragem" adquirida. Discutir palestras, monitorar eventos, mobilizar outras pessoas, debater decisões importantíssimas etc. Se eu soubesse como era se sentir assim desde o começo, teria feito parte dessa "biblio-família" a mais tempo.


H (just in time)

domingo, 27 de dezembro de 2009

O roteiro de viagem e os cartões postais


O descanso acabou. Depois de definido o roteiro de viagem, é chegada a hora de explorar os locais marcados como relevantes. Isso exige uma pesquisa de campo. Muitas vezes, e dizendo ninguém acredita, me sinto como um arqueólogo no seu primeiro dia num sítio recém descoberto.

Não há mais tempo a perder com distrações! É um momento de correria, quando precisamos visitar todos os lugares para, posteriormente, relatar de maneira sucinta o que pode ser depreendido desse e/ou daquele ponto. Como acontece num cartão postal: uma foto ilustra as belezas naturais e/ou culturais do lugar; virando-o, ainda temos um pequeno espaço separado para breves comentários, sensações, destaques e o que mais remeter àquele local específico.

Na verdade, tudo isso deveria ser feito com calma, utilizando preciosamente o tempo disponível. Porém, o descanso à beira da estrada durou (menos que o necessário, porém) mais do que o previsto: estava tudo muito bom; a paisagem era belíssima, a brisa matinal, reconfortante.

O empecilho da corrida só me trouxe uma certeza: no futuro, não poderá haver mais pausas inusitadas. As únicas possíveis serão as programadas, reservadas apenas para coletar mais cartões postais e continuar a fazer explorações. Quem sabe, eu não encontro uma nova espécie?!


H (corri, mas entreguei!)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Cultura-Brasil? Qual?!


Se fosse a mão esquerda do Lula, adivinhem qual cor faltaria... rs

Recentemente, fiz um trabalho sobre políticas culturais que pretendia analisar as considerações dos secretários de cultura de mais de 750 municípios nacionais. Para isso, o professor que ministrou a disciplina elaborou um questionário que, na minha humilde opinião, tentou englobar de maneira simplória o universo cultural do microcosmo regional. Claro que, em se tratando de cultura e Brasil (duas palavras que não combinam bem numa frase afirmativa!), o número baixo de questionários respondidos, apesar de esperado, só foi ainda mais desanimador. Assim como a maioria das respostas concedidas.

Abaixo, transcrevo uma parte do trabalho final entregue pelo grupo no qual tive participação mínima. A pergunta em vista, solicitava que o responsável pela pasta citasse o maior objetivo da Cultura na sua gestão. Posso dizer que achei a pergunto um pouco subjetiva demais. Se por um lado ela tentava medir o entendimento do conceito de “cultura” pelo secretário, por outro, ela abria brechas para um desabafo, trazendo à tona uma problematização que não cabia na determinada questão. Bom, leiam e julguem vocês mesmos:

“Apesar das várias definições sobre cultura que podemos encontrar na literatura da área, as respostas dadas pelos representantes se mostraram bastante centradas no binômio preservação da cultura local / apropriação da cultura pela população (quase 70% das respostas eram relacionadas a isso). Porém, mesmo demonstrando essa preocupação com o estreitamento da relação entre a população e a política cultural, é difícil imaginar como isso seria possível se a grande maioria das secretarias respondeu não focar suas ações culturais numa determinada faixa etária e/ou social.

Tendo em vista que a melhor maneira de expressão para as ações citadas acima seja por meio de manifestações populares, de caráter inclusivo na produção cultural, seria mais do que imprescindível a tomada de um foco social e/ou etário participativo em grande parte do plano cultural do município.

Analisando bem as demais respostas, fica claro que alguns secretários ainda possuem calcificada a ideia de que a existência da apropriação da cultura pela população está ligada a construção e/ou restauração de prédios para abrigar museus ou bibliotecas [entre outras Unidades de Informação]. Claro que essas ações são necessárias. Mas não como principal forma da citada apropriação.

Construções como essas são tidas mais como meios para conservação/preservação de artefatos culturais. Servem, então, como ‘laboratório’ para o crescimento cultural de seu povo. Para tanto, a melhor maneira para aliar ações culturais e população seria promover ações que contribuam para a expressão popular regional: musicais, festas típicas, que envolvam o indivíduo na sua criação, seja intelectualmente, ou através da escolha programática.

ROUANET define o direito à produção cultural como ‘direito que têm todos os indivíduos de exprimirem a sua criatividade’. Talvez esse seja o grande mote que a política cultural nacional deva seguir: garantir a apropriação cultural sem deixar de lado o incentivo à criatividade individual.”


ROUANET, Sérgio Paulo. Política cultural: novas perspectivas. In: ALMEIDA, Candido José Mendes de; DA-RIN, Silvio. Marketing cultural ao vivo: depoimentos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1992.


H (crie e ative a sua)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O sopro de alívio e as primeiras pedras



Começar a trilhar caminhos inéditos não é fácil. Na verdade, ninguém nunca me disse que seria fácil. Porém, nós sempre temos uma esperança, não é mesmo?!

Quando os primeiros entraves aparecem, é normal sentir aquela vontade quase incontrolável de desistir, largar tudo como está para que, futuramente, outro corajoso entusiasta encontre melhores meios para concluí-lo.

Ultimamente tenho me sentido imerso naquele poema do Carlos Drummond de Andrade em que, num determinado momento, ele (ou o personagem do poema) se encontra “cercado” por pedras, não podendo seguir ou retroceder.

Essas pedras, as quais logo alcunhamos de “obstáculos”, muitas vezes são tão grandes que acabam por tornar o restante do caminho totalmente invisível aos nossos olhos. Damos pulos ou tentamos circundá-las, na tentativa sempre fracassada de enxergar aquilo que se encontra além.

Nesses casos é que uma orientação, a chamada “mão-amiga” faz sempre uma diferença, auxiliando com os equipamentos necessários para escalá-las. Não raro, algumas vezes surge aquele frio na barriga devido a altura que esse ou aquele obstáculo adquire. E, novamente, cabe a mão-amiga nos incentivar, deixando claro que o medo nada mais é do que a falta de confiança tentando nos incapacitar de todas as formas a enfrentar o desconhecido.

O desconhecido pode ser uma aventura ou uma chatice; um filme de terror ou uma comédia pastelão. Suas definições, para serem conhecidas, só dependerão da carga acumulada que trazemos conosco. Cada um só faz a viagem que quiser. Ou puder fazer.


H (estagnado)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O palhaço está de volta..


Às vezes, enquanto ouvimos uma música triste ou reparamos na paisagem urbana caótica de São Paulo durante um de seus vários momentos de engarrafamento, nos colocamos a pensar sobre como a nossa vida está difícil. Nesses instantes reflexivos, todo o incômodo e insatisfação que nos cerca afloram, deixando um rastro de decepção e desânimo.

Essa sensação de incapacidade diante dos rumos que minha vida levou até o famigerado instante, tem sido minha "parceira" a mais tempo do que eu próprio gostaria.

Porém, ontem, uma grande amiga me fez abrir os olhos e perceber que o mundo é repleto de outros seres. E esses, por sua vez, também possuem uma trajetória quase sempre tão conturbada quanto a minha.

Eu sempre fui um tipo de pessoa que gosta de ver as pessoas contentes. Torço muito por aqueles que me rodeiam. Muitas vezes, faço de seus momentos felizes (já que a felicidade não existe!) meus momentos também. Quando os vejo tristes, brinco, faço piadas, tiro sarro, faço de um tudo para ver ao menos o esboço de um sorriso.

E, não faz muito tempo, falei aqui sobre o fim da percepção desse meu lado "altruísta". Talvez, muito influenciado pelo estado de espírito em que me encontrava na época. Porém, mesmo depois de passada essa fase, continuei uma pessoa fria, arrogante, sozinho no meu mundo e pouco me importando para o restante do universo.

Mas, como eu disse, ontem foi diferente. Primeiro pelo clima que se formou antes da apresentação de TCC de outra "Very Special Person". Me senti de volta ao meu primeiro ano de graduação, quando ir até a faculdade era um prazer compartilhado por muitos. As gargalhadas, as zoeiras inofensivas, a amizade acima de tudo. Segundo, pela apresentação da "Very Special Person". Eu me senti feliz por ver que o seu esforço foi reconhecido e, merecidamente, recompensado. Sensação que, como também já falei, não sentia há muito tempo.

Daí, para fechar a noite, essa amiga que já citei, durante uma longa conversa, me mostra que meus problemas e encucações não passam de meros cortes superficiais. Feridas que cicatrizarão com o tempo.

Enfim, me fez pensar muito. E, pela primeira vez na minha vida, resolvi fazer um planejamento a longo prazo. Se ele der certo, meus problemas irão desaparecer.. para dar lugar a outros.. rsrs Mas, o importante mesmo é que, novamente, sinto alegria por ver meus os ganhos alheios. É muito bom estar de volta.. completo.

H (é dez.. com louvor!)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

D de dúvida


Um pouco influenciado pelas novidades que vêm repercutindo na minha vida nos últimos dias e, seguindo um conselho que posso também chamar de "indicação subliminar" de um amigo, resolvi assistir, ontem, o filme "O Procurado", com aquela perfeição em forma de mulher, Angelina Jolie.

O filme em si não é lá aquelas coisas. Mas o tempo todo, percebe-se a dupla "destino-escolha" como personagem principal da trama.

Acho que já comentei sobre isso aqui no blog, mas não sou do tipo que acredita piamente em destino. Também acredito que algumas escolhas nos são abertas, possibilitando inúmeras alternativas futuras.

Porém, ultimamente, me sinto meio "incapacitado" diante das escolhas que fiz recentemente. E não digo só isso na trajetória da minha vida. Até o ponto em que a minha graduação se encontra tem me decepcionado muito. Seria ótimo se pudéssemos parar o tempo diante de uma grande escolha para enxergarmos as várias possibilidades, pesarmos as variáveis e, a partir disso, tomarmos a decisão que acharmos melhor.


Mas nada é como gostaríamos. Ou melhor, é sim. De maneira indireta, mas é.

No filme que citei, na última frase do protagonista, surgiu uma análise que logo postarei aqui: "O que você tem feito da vida?". Pensem...

H ("Viver é escolher. [...] Cada dia, um caminho diferente." [M. F.])

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Do inferno ao céu em 24 horas


Se tem uma coisa que não desejo nem ao meu pior inimigo, foi algo que me aconteceu nessa quinta-feira enquanto, inocentemente, eu tentava ir até a faculdade entregar meu trabalho final da matéria de arquivística.

Como eu só iria para entregar o trabalho nas mãos da professora, e já imaginava que gastaria, no máximo, uma hora no trajeto, então resolvi ficar 30 minutos a mais no trabalho (acreditem, não foi por gosto!) e corri para o ponto de ônibus, torcendo para pegá-lo antes das 18h.

Ah, se arrependimento matasse! Fiquei quase uma hora de pé esperando o maldito do busão! Ainda tinha a frustração de ver um "Terminal Lapa" passar depois do outro até somar um número que desisti de contar após os primeiros 20 minutos de desespero.

Vocês devem estar rindo do meu sofrimento, né!? Se parasse só nisso, até eu riria. Mas, como desgraça pouca é bobagem, o que estava por vir me deixou ainda mais desanimado. Como já estava conformado com a demora do busão, resolvi pegar meu fone de ouvido para me distrair um pouco. E quem disse que consegui achar o tal do fone?!

Juro que pensei em entregar os pontos de vez! Rezei (mesmo sabendo que seria impossível) milhares de vezes para o ônibus passar vazio. E como vcoês acham que ele veio? Lotado, lógico!

Depois de ouvir uma "conversa" entre duas alunas das sociais sobre os respectivos namorados, não só me inspirei para o post especial do dia dos namorados, como também descobri que tenho um pavor ainda maior do que envelhecer: enfrentar um busão sem meus fones! Inclusive, só fui encontrá-los no dia seguinte, no trabalho.

Alguns dias atrás, assim que percebeu o nível do ruído que saía dos meus fones, minha avó me falou: "meu filho, você ainda vai ficar surdo ouvindo música nessa altura!". Não se preocupa não, Dona Angelina.. no futuro, eu compro um aparelho auditivo com Bluetooth.. rs


H (não vivo sem música)

sábado, 14 de março de 2009

Deus e o diabo na terra do trânsito


Quinta-feira. Mais um dia lastimável para Adriano*. Como em toda manhã, ele ouve o despertador tocar com um misto de sono e decepção. Sua tentativa diária de enrolar mais alguns minutos na cama fica cada vez mais evidente como um ato de desespero. Um ato que demonstra apenas que, apesar da imensa vontade, ele não comanda sua vida.

O segundo toque do despertador se assemelha a uma voz macabro, chamando-o para o paraíso. Ele levanta ainda de olhos fechados. Se abri-los, sabe que verá esse paraíso imaginário se transformar naquilo que realmente é: o inferno!

Duas horas de viagem em ônibus lotados e vários planos frustrados de fulga depois, e lá está ele naquele emprego enfadonho, tendo que aguentar filhinhos de papai ignorantes, colegas de trabalho folgados até o último fio de cabelo e uma chefe arrogante e mesquinha.

Isso é a rotina. E, depois de passar mais de 9 horas ‘trancafiado’ nesse que poderia ser seu único inferno terreno, Adriano se vê ‘livre’ para ir até a faculdade e picaretar um pouco. A aula seria curta. Antes de se dar conta, ele já estaria em casa. Ele passa pela recepção do prédio onde trabalha com um grande sorriso nos lábios. Quem não o conhecesse bem, diria que é a pessoa mais feliz do mundo. Ledo engano!

Quarenta minutos depois e lá está ele, ainda esperando pelo ônibus que o levaria a faculdade, com uma cara que poderia resumir o termo mal-humor em qualquer dicionário ilustrado. Assim que o dito cujo chega, começa aquela briga por ‘um lugar ao sol’. De preferência, na janela. E ele consegue. Apesar de cansado de tanto esperar, se sente realizado. Liga seu MP3 e tira um cochilo. Sabe que será coisa rápida, porém, nessas horas, os olhos ignoram qualquer relógio criado pelo homem e simplesmente se fecham. Adriano só desperta quando a pilha acaba e a música pára de tocar. A única solução é o celular, que também tinha algumas músicas na memória.

Mas, e agora ele repara, por quê o ônibus ainda está no meio do caminho? No relógio do celular ele confere que já faz uma hora que subiu no ônibus! Como pode? Trânsito em plena quinta-feira!? Essa cidade só pode ser ‘movida’ a trânsito!

Ele já nem consegue mais se concentrar na música. Logo, ele vê várias pessoas nas calçadas, provavelmente desceram pelo caminho, correndo como se fugissem de algo. Adriano quase que instintivamente olhou para trás para ver se alguma onda gigante ou animal pré-histórico estava atacando a cidade. Seria um alívio! Mas não. Aquelas pessoas estavam apenas tentando recuperar o tempo perdido, tempo que não volta mais.

Seu ônibus o deixou na faculdade exatamente duas horas e meia depois de pegá-lo no trabalho! Assistir quarenta minutos de aula seria o mínimo para terminar um dia que começou horrível e seguiu essa receita até aquele momento.

Chegou em casa acabado. Dores nas costas, pernas e pés. Tudo isso para quê? Para levar uma vida digna, porque um idiota há milênios atrás disse que só ‘o trabalho dignifica o homem’... faça-me o favor! Comer e, principalmente, descansar, ficam em segundo plano então?!

Hoje, no aniversário de nascimento do grande cineasta brasileiro Glauber Rocha, faço essa pequena homenagem, na forma do título do post, e lhe digo (onde quer que ele esteja): parabéns Glauber, você está muito melhor que nós todos! “Deus e o diabo na terra do sol”?? Por que não gravou “Inferno na terra da garoa”?! Tenho certeza que seria um sucesso!


H (trabalhar é ruim; trabalhar e estudar é péssimo; mas perder 2h30 no trânsito de São Paulo é o fim!)

* nome fictício.